Fatores de risco psicossociais e organizacionais: como realizar a identificação e quantificação por meio da Análise Ergonômica do Trabalho

Por 5 de setembro de 2018Ergonomia
Saiba mais sobre os fatores de risco psicossociais

A complexa análise dos fatores psicossociais e organizacionais pode ser realizada através da psicodinâmica do trabalho. O termo, criado por Christophe Dejours, tem origem franco-belga e mistura conceitos de medicina, ergonomia e psicanálise.

A ideia é avaliar o ambiente no qual o profissional está inserido e identificar os fatores do trabalho que têm influência sobre as pessoas — apontando as questões que afetam a produtividade e podem levar ao surgimento de doenças ocupacionais.

Neste post, explicaremos melhor este assunto, como é feita uma análise ergonômica do trabalho completa e quais os benefícios que o método pode proporcionar, contando com a ajuda do Dr. Andre Fusco, médico do trabalho do Itaú Unibanco.

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Como uma Análise Ergonômica do Trabalho ajuda a identificar os fatores psicossociais e organizacionais?

Atualmente, encontramos questionários e outros métodos para identificação dos fatores psicossociais e organizacionais. Podemos destacar alguns:

  • Self Reporting Questionnaire (SRQ20);
  • Job Content Questionnaire (JCQ);
  • Job Stress Scale (JSS);
  • Health and Safety Executive (HSE).

O Itaú Unibanco, de forma inovadora percebeu que as atuais AETs não focam nas questões cognitivas e psicofisiológicas. Realizar uma análise quantitativa e qualitativa  poderia explicar algumas possíveis causas do adoecimento mental.

Cada empresa tem uma realidade diferente, com particularidades, culturas, modelos de negócio e organização distintas. Por isso, medir a influência dos fatores de risco que afetam a saúde mental dos profissionais é um desafio, que pode ser superado com uso da psicodinâmica do trabalho.

É esse conceito multidisciplinar (com aspectos da medicina, ergonomia e psicanálise) que faz uma análise qualitativa de condições psicofisiológicas. Eles ajudam a avaliar a empresa através do ponto de vista dos trabalhadores,  para entendermos as possíveis influências negativas do ambiente, da empresa, do modelo e organização do trabalho, entre outros pontos.

A psicodinâmica do trabalho

Como afirma o Dr. Andre Fusco, responsável técnico pela área de saúde ocupacional do Itaú Unibanco, “a psicodinâmica do trabalho é quase uma análise psicanalítica das respostas que as pessoas dão para os estímulos que o trabalho traz. A partir disso você percebe a influência que o trabalho tem na pessoa”.

Vale destacar que “a psicodinâmica do trabalho não estuda o doente, mas estuda os colaboradores saudáveis. No processo de adoecimento, caso exista uma condição de trabalho que influencia negativamente o colaborador e que do ponto de vista psíquico não supre as necessidades básicas, a maior parte das pessoas não adoece”, de acordo com o Dr. Andre.

Geralmente, as pessoas compensam a insatisfação por meio de meditação, atividade física, mindfulness, conversa com o cônjuge e amigos e qualquer outra estratégia que ajude a resistir ao estresse no trabalho. Contudo, quando elas se tornam ineficazes, a pessoa pode adoecer — e consequentemente desenvolver doenças como gastrite, depressão, burnout, entre outras.

Sendo assim, a utilização de métodos que focam apenas a doença, as equipes se limitam aos fatores que desencadeiam o problema, fugindo da causa raiz, que é a influência que o ambiente de trabalho pode provocar no estado emocional do profissional.

Dessa forma, foi necessário analisar a fundo a rotina laboral de uma agência para desenvolver um modelo eficiente. Para isso, foi feita uma imersão no modelo de negócio, observando e avaliando a percepção das pessoas que trabalhavam na unidade avaliada.

Assim, foi possível aprimorar as ferramentas utilizadas e construir um método de análise psicofisiológica — de acordo com o que a NR-17 recomenda — baseado na psicodinâmica do trabalho. Isso significa que o foco está na causa raiz dos problemas, e não na consequência que é a doença.

Quais são as principais diferenças do método adotado pela BeeCorp e a AET tradicional?

A BeeCorp considera que uma análise ergonômica do trabalho precisa ser completa, abrangendo diversos pontos como:

  • aspectos biomecânicos (altura da mesa, maciez da cadeira, quantidade de toques na digitação);
  • aspectos ambientais (temperatura do ar, iluminação, ruídos);
  • aspectos psicofisiológicos.

No mercado, de modo geral, encontra-se uma análise focada apenas nas questões biomecânicas e ambientais — negligenciando os fatores psicofisiológicos.

As AETs que vêm sendo desenvolvidas no Itaú Unibanco, por exemplo, já englobam os fatores psicossociais e organizacionais, considerando os três aspectos citados. Assim, chega-se a um resultado mais completo, cumprindo a NR-17 e em até certo ponto indo além do que a legislação exige.

A equipe responsável pelo método, estudou os modelos e levantou diversas hipóteses para alguns cargos do banco. Alguns pontos preliminares, ainda em estudo e consolidação, detectou a possibilidade de sobrecarga, alguma contradição na execução das tarefas e a sensação de injustiça.

Com base nessas descobertas, desenvolveu-se um questionário com 10 questões para aprofundar os pontos acima. Além disso, três atividades foram acompanhadas em tempo integral pelos ergonomistas. A análise dos resultados pode ajudar muito no modelo de negócios com a manutenção da segurança e saúde dos trabalhadores e impactos positivos na produtividade.

O Dr. Andre esclarece que “de acordo com a psicodinâmica do trabalho, o sofrimento é inevitável, podendo gerar doença ou não. Imagine uma criança aprendendo a andar de bicicleta, ela vai cair, ou seja, sofrer. Contudo, uma hora ela consegue e tem a recompensa disso. De forma superficial, o sofrimento faz parte, mas quando não tem razão de ser e não traz recompensa, aí pode gerar um adoecimento. Portanto, é um olhar que a empresa faz para os aspectos subjetivos do trabalho.”

Quais são os benefícios do método?

Quando as condições ideais não são atendidas e não suprem as necessidades psíquicas, o profissional passa a não ver sentido no trabalho, se torna menos produtivo, desmotivado, adoece mais e não se sente satisfeito com a remuneração, por melhor que seja.

Por outro lado, promovendo ações como esta os colaboradores passam a ver mais sentido no trabalho, ter mais cuidado com as tarefas executadas, ter menos sensação de injustiça e passam a produzir mais e melhor. Tudo isso ajuda a reduzir custos com absenteísmos, sinistralidade, doenças e acidentes.

O Dr. Andre explica que “se a empresa não leva em consideração a relação colaborador e cliente, por exemplo, gera o descontentamento. Se o colaborador tem uma meta para vender o produto e quer batê-la para ser remunerado e ter o reconhecimento da chefia, mas vende um produto que os consumidores não precisam, ele passa por um conflito ético e moral, adoecendo mentalmente.”

Sendo assim, de forma geral, podemos citar os seguintes benefícios do método:

  • aumento da produtividade;
  • engajamento;
  • redução de processos trabalhistas;
  • melhora do clima organizacional;
  • satisfação de clientes e funcionários;
  • redução de turnover, treinamentos e contratações;
  • melhora da imagem da empresa.

Apesar de o principal objetivo das empresas ser a geração de lucro, a preocupação em entregar valor para os clientes e oferecer um ambiente agradável para os colaboradores deve estar no mesmo patamar. Como pudemos ver, os fatores psicossociais e organizacionais são determinantes para o desempenho das equipes e podem gerar reflexos consideráveis nos resultados — sejam eles positivos ou negativos.

O que achou deste post? Quer saber como melhorar o ambiente de trabalho e tornar os colaboradores mais felizes e motivados? Então entre em contato conosco agora mesmo e saiba como a BeeCorp pode ajudar!

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