Como a NR 17 pode reduzir o absenteísmo dentro das empresas?

Por 23 de agosto de 2017Ergonomia
Como NR 17 pode reduzir absenteísmo dentro das empresas

O absenteísmo nas empresas refere-se à ausência de um colaborador no período de trabalho, seja por algumas horas ou até mesmo por vários dias. Mas qual a sua relação com a NR 17?

O absenteísmo impacta a sinergia operacional, interferindo na cadeia produtiva e sobrecarregando toda a equipe. Entre suas múltiplas causas, podemos destacar problemas relacionados à saúde, ao bem-estar do colaborador e ao ambiente de trabalho. Se ele impacta tanto na produtividade e possui múltiplas causas, fica a pergunta: como reduzi-lo? É aí que entra a norma regulamentadora número 17 (NR 17).

Para começar, é preciso cuidar da saúde das pessoas e proporcionar-lhes boas condições de trabalho, ou seja, é necessária uma ergonomia adequada. Por isso, vamos ver alguns conceitos e entender como, a partir da ergonomia e da NR 17, é possível reduzir o absenteísmo e elevar a produtividade dentro da empresa. Confira agora!

Compreendendo o absenteísmo e suas causas

Os gestores devem estar sempre atentos aos índices de falta e principalmente suas causas. São muitos os motivos que desestimulam ou impedem o trabalhador a estar presente em seu local de trabalho. Veja alguns deles:

  • problemas de saúde;
  • desalinhamento com a proposta e com os objetivos da empresa;
  • clima organizacional desfavorável;
  • líderes arbitrários;
  • cansaço e estresse;
  • excesso de cobrança;
  • acúmulos de tarefas;
  • metas difíceis de cumprir;
  • desentendimento com colegas de trabalho;
  • falta de infraestrutura e de equipamentos.

Afinal, o índice de absenteísmo é antagônico à alta produtividade. E, se ele está ocorrendo, é porque existem situações críticas que estão desmotivando os colaboradores. Portanto, esse índice não deve ser visto apenas como algo negativo, mas, sim, como um alerta de que algo está errado.

Formas de diminuir o absenteísmo nas empresas

No momento em que os colaboradores começam a se ausentar da empresa, é fundamental buscar novas propostas para melhorar o ambiente de trabalho. É preciso focar no cliente interno, ou seja, na própria equipe de colaboradores.

Então, analise o ambiente de trabalho de sua empresa e estude sugestões de otimização, tanto em termos de espaço físico quanto de condições e benefícios oferecidos aos colaboradores. Quanto melhor eles se sentirem dentro da empresa, menores serão as possibilidades, por exemplo, de que faltem por desmotivação ou insatisfação. Sendo assim, confira algumas ações que você pode fazer para vencer essa situação:

Identifique os casos em que é justificado o absenteísmo nas empresas

Ressalta-se que nem sempre todas as faltas ocorridas são ocasionadas por falta de engajamento com a empresa ou por simples irresponsabilidade. Às vezes, o colaborador está apresentando algum problema de saúde, o qual pode, inclusive, estar vinculado à função que ele exerce no trabalho.

Por esse motivo, é interessante manter um programa médico para os funcionários. Atividades como o desenvolvimento regular de um grupo de ginástica laboral também podem reduzir o absenteísmo por doença, além de melhorar o vínculo entre o empreendimento e a sua equipe.

Identifique o colaborador desinteressado

Lembre-se de que alguns colaboradores levam a sério seu trabalho e a empresa. No entanto, eles podem estar desmotivados devido a uma gestão ineficaz ou por causas de um salário nada atraente. Essas são situações que o RH pode resolver por meio de medidas internas.

Um contexto muito diferente é o funcionário desinteressado; talvez ele esteja apenas esperando uma oportunidade melhor em outro lugar, ou talvez ele apenas não goste de trabalhar. Independentemente da justificativa, o profissional com esse perfil inclina-se a apresentar faltas contínuas sem justificativa. Além disso, quando está presente, adere a uma atitude negativa, que pode ser transmitida para uma boa equipe de trabalho.

Dessa forma, o setor de RH precisa estar alerta a esse tipo de ocorrência e buscar medidas imprescindíveis o mais rápido possível, mesmo que o resultado seja o desligamento do colaborador.

Eduque os jovens colaboradores

A idade também exerce influência no absenteísmo. Funcionários jovens podem não ter a compreensão do quanto a falta individual é negativa para o desempenho coletivo. Em outras circunstâncias, eles podem considerar que não estão recebendo a atenção e as oportunidades que almejam.

É necessário, assim, praticar ações para educar a equipe mais jovem da empresa, já que seus membros, várias vezes, estão em seu primeiro emprego. Isso pode ser feito informando esses colaboradores da relevância de seu papel e dos processos que levam ao crescimento individual ao longo do tempo. Apenas com essa dedicação por parte da empresa será possível manter os jovens talentos.

Absenteísmo e ergonomia

O absenteísmo está diretamente relacionado à ergonomia, contudo são índices inversamente proporcionais. Dessa forma, quanto maior a ergonomia no ambiente de trabalho, menor será o índice de absenteísmo. Consequentemente, maior será o rendimento do trabalhador e sua satisfação.

De acordo com Kari-Pekka Martimo, especialista em gestão de absenteísmo, é possível manter a saúde do trabalhador equilibrada, mas para isso é preciso que se adote mudanças no estilo de vida e ações preventivas. Segundo ele, a empresa que investe em ergonomia e em prevenção no ambiente de trabalho consegue aumentar em duas vezes a produtividade dos seus profissionais, reduzindo, com isso, os custos.

Ergonomia como chave para o bem-estar corporativo

A palavra ergonomia tem origem a partir do termo grego “ergon”, que se traduz como “trabalho”, e “nomos”, que significa “regras ou normas”. Portanto, essa área vai buscar estudar e compreender o ambiente de trabalho, o perfil dos colaboradores e o tipo de atividade exercida, além de traçar as condições adequadas para a execução das tarefas laborais.

Assim, haverá a qualidade necessária do ambiente de trabalho para que o funcionário desempenhe, com saúde e segurança, suas funções. Assim, consequentemente, haverá maior produtividade.

Sylvia Volpi, especialista na área, afirma que a ergonomia visa a enriquecer o conceito de produtividade conjugado aos conceitos de eficácia, bem-estar e qualidade.

Ela considera que dessa forma se reduz a penosidade do ser humano, no intuito de sua melhor adaptação ao trabalho e à racionalização do sistema produtivo. Com isso, a almejada produtividade surge naturalmente, como consequência de todo esse processo.

Sendo assim, a NR 17, também chamada de Norma da Ergonomia, pode ajudar a empresa a implementar boas ações para melhorar as condições de trabalho, além de promover a saúde e a segurança de seus colaboradores. Vamos conhecê-la melhor.

O que é a NR 17 e quais são seus objetivos

A NR 17 surgiu com o aumento de casos de doenças ocupacionais. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com as entidades trabalhistas, resolveu criar uma norma regulamentadora específica para a ergonomia.

Essa norma busca estabelecer padrões que permitam a adequação das condições de trabalho às situações psicofisiológicas dos colaboradores. E isso de forma a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

A fundamentação legal da norma compreende os artigos 198 e 199 da Consolidação das Leis Trabalhistas ou CLT. Dessa forma, por lei, as empresas precisam implantar os programas de ergonomia para assegurar o trabalhador e prevenir doenças de trabalho, como, por exemplo, DORT (Doença Osteomuscular Relacionada ao Trabalho) e distúrbios psicológicos (estresse, depressão e ansiedade).

Osny Orselli, especialista em ergonomia e qualidade de vida, considera que seguir a norma e proporcionar a ergonomia aos colaboradores é, na realidade, um grande investimento. Ele afirma: Talvez pouca gente saiba que ser uma organização sustentável — hoje em dia cada vez mais exigida por Lei, pela sociedade, pelos parceiros, pelos fornecedores e pelos clientes — é bom, não custa caro e dá lucro! Na realidade a ideia de investir (e não gastar) em mecanismos de saúde, preservação ambiental, preservação de segurança, cuidado social e recursos humanos como um todo, vem dos norte-americanos que ‘descobriram’ que investir em gente dá retorno, dá lucro ou aumenta os lucros.”

Podemos perceber, então, que investir em ergonomia traz retorno, ou seja, é uma área que há um bom índice de ROI (Return On Investment). Esse é um indicativo econômico que representa a relação entre o retorno e o capital investido em um projeto ou ação.

Principais características da NR 17

A principal meta da norma regulamentadora de ergonomia é reduzir os riscos ergonômicos a que os colaboradores estão diariamente submetidos. Os principais assuntos abordados pela NR 17 envolvem:

  • funções que exigem esforços habituais e que podem ocasionar lesão por causa da repetição, conhecido como LER (Lesão por Esforço Repetitivo);
  • colaboradores que passam várias horas trabalhando em pé ao longo de sua jornada de trabalho;
  • trabalhadores que necessitam levantar cargas pesadas no decorrer de sua rotina habitual.

Enfim, conforme cada caso, existe uma estruturação que busca diminuir os problemas ergonômicos causados pela atividade laboral.

A estrutura da norma e a que é preciso se atentar

A NR 17 exige que o empregador faça uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Esse documento deve conter aspectos que descrevam as condições de trabalho nas seguintes atividades:

  • levantamento, transporte e descarga individual de materiais;
  • condições ambientais de trabalho;
  • equipamentos dos postos de trabalho;
  • mobiliário dos postos de trabalho;
  • organização do trabalho.



A norma apresenta a obrigatoriedade da AET para as seguintes áreas de atuação: Operadores de Checkouts e Trabalho em Teleatendimento/Telemarketing.

NR 17 como ferramenta para a gestão de pessoas

Os cuidados com as condições de trabalho já são regulamentados por lei. A NR 17 é mais do que uma exigência, é uma ferramenta de apoio para a gestão de pessoas.

A NR 17 é voltada ao colaborador, mas visa a apoiar também a empresa. É preciso que os gestores a vejam como uma ferramenta positiva para diminuir o absenteísmo. Assim, é possível minimizar os prejuízos ao sistema organizacional das corporações e reduzir custos. Afinal, o absenteísmo é um grande inimigo da produtividade, da motivação e da satisfação dos funcionários.

Nesse panorama, essa norma regulamentadora é de grande importância. Ela define que cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, a fim de verificar se as condições mínimas estão sendo obedecidas.

É preciso salientar que o absenteísmo é um dos grandes fatores enfrentados pelos administradores de vários segmentos da economia do país. A ausência dos colaboradores relacionadas com a saúde é um dos principais motivos. Isso afeta bastante o nível de produtividade nos negócios.

Podemos perceber que investir em ergonomia significa proporcionar boas condições de trabalho, além de cuidar da saúde e da segurança do colaborador. Um funcionário que usufrui desses benefícios terá maior disposição e ânimo para desempenhar suas atividades. Assim, a relação com o trabalho torna-se mais agradável e confortável, o que diminui consideravelmente a probabilidade de faltas.

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