O que é Análise Preliminar de Risco e como implementar na empresa?

análise preliminar de risco
Por: Ana Flávia Oliveira

Quando se trata de manter os colaboradores a salvo, é essencial analisar todo e qualquer risco, independentemente do segmento da organização. Foi seguindo essa premissa que a Análise Preliminar de Risco surgiu. Saiba mais sobre ela a seguir!

Um levantamento realizado pelo Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho apontou que, entre os anos de 2012 e 2019, a cada 49 segundos acontece um acidente de trabalho em nosso país. Esses dados alarmantes reforçam a importância de uma área de Segurança do Trabalho e, principalmente, de como seu ofício deve ser bem executado a fim de manter as pessoas e o ambiente seguros.

O que é análise preliminar de risco?

A análise preliminar de risco consiste em uma avaliação prévia e aprofundada sobre os eventuais riscos envolvidos em um projeto ou atividade de trabalho. Esse estudo deve considerar todas as fases de realização e, com base nelas, propor medidas apropriadas para prevenir acidentes. Sua elaboração é uma medida obrigatória prevista em algumas normas regulamentadoras:

  • NR 12 — segurança no trabalho em máquinas e equipamentos;
  • NR 18 — condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção;
  • NR 20 — segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis;
  • NR 33 — segurança e saúde no trabalho em espaços confinados;
  • NR 34 — condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e reparação naval;
  • NR 35 — trabalho em altura;
  • NR 36 — segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados.

Também se pode citar a NR 17, conhecida como a norma da ergonomia, que alerta para a importância de se fazer uma análise ergonômica do trabalho, isto é, das condições do ambiente, a postura do empregado ao realizar suas atividades laborais etc. Esse levantamento também considera fatores psicossociais e organizacionais, que impactam diretamente na satisfação e produtividade dos colaboradores.

Embora a técnica seja comumente associada ao setor de segurança do trabalho, ela foi originada na área militar para averiguar os riscos na produção dos sistemas de mísseis, visando proteger os envolvidos na atividade. Hoje, são os profissionais de ST, assim como os engenheiros e membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), os principais tutores de sua execução no ambiente organizacional.

Como acontece a análise preliminar de risco?

Além dos profissionais acima, na hora de fazer a APR, todos os funcionários envolvidos na atividade ou projeto devem participar a fim de que o máximo de informações sejam analisadas e, seus riscos, prevenidos. Algumas das questões a serem debatidas por esse grupo são essas.

Durante a atividade ou projeto, o colaborador ou a equipe de trabalho:

  • Estarão expostos a alguma fonte de perigo?
  • Estarão em contato com alguma fonte de perigo?
  • Se a resposta à pergunta anterior for afirmativa, por quanto tempo isso vai acontecer? Com que frequência?
  • Qual é a distância entre o colaborador e a fonte?

A fonte de risco mencionada pode se referir a uma condição (altura, por exemplo) ou um equipamento (uma máquina de corte, por exemplo). Portanto, os envolvidos devem pontuar respostas abrangentes e detalhadas, considerando cada etapa do processo. Para cada risco apresentado, medidas devem ser previstas para controlá-lo e proteger o colaborador.

Quais são os objetivos da análise preliminar de risco?

O principal intuito da APR é detectar os riscos envolvidos em uma atividade ou projeto. No entanto, sua implementação também é motivada por:

  • a organização dos procedimentos de segurança;
  • a sistematização das fases das atividades de trabalho;
  • a redução ou extinção de falhas humanas e mecânicas;
  • o compartilhamento de informações relacionadas aos riscos a que os colaboradores estão submetidos em suas rotinas de trabalho;
  • a previsão de problemas.

Além disso, a APR também facilita o ofício de outros setores, como o de Medicina do Trabalho, afinal, ela faz parte do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Considerando que grande parte dos acidentes de trabalho é ocasionada por falha humana, a APR é uma excelente aliada na preservação do ambiente e empregados.

Como implementar a análise preliminar de risco?

Há quem acredite que uma APR só se enquadra na rotina de grandes indústrias ou empresas de construção civil, mas não é assim. Mesmo onde não tem parque fabril — apenas áreas administrativas, os riscos ergonômicos são reais e podem ocasionar doenças ocupacionais. Por isso, implementar a análise preliminar de risco sempre é uma boa ideia. Se você deseja saber como fazê-lo, aproveite as dicas abaixo.

Reúna sua equipe de trabalho

Lembre-se que, na elaboração da APR, quanto mais gente envolvida, melhor. Toda informação é importante, pois todos os riscos, por mais leves que sejam, devem ser previstos. Então, reúna os membros do seu time ou dos responsáveis pela atividade ou projeto e estudem as condições envolvidas para iniciar a análise.

Para isso, essas pessoas devem ser treinadas nos conceitos de segurança, bem como na própria APR, a fim de que entendam sua importância e estejam prontas para participar do processo.

Analise o ambiente de trabalho

Os riscos ergonômicos nas empresas, eventualmente, passam despercebidos. Certifique-se de fazer um levantamento criterioso sobre o espaço de trabalho e observar como as tarefas são executadas pelos funcionários. Essa observação pode gerar vários insights e tornar o relatório detalhado, como deve ser.

Organize os riscos

Depois de listá-los, classifique os riscos de acordo com sua potencialidade. Inclua as informações sobre os fatores de vulnerabilidade e as causas de acidentes. Em seguida, considere os eventuais danos que podem ser causados por esses riscos.

Defina as medidas preventivas

Tão importante quanto conhecer as ameaças é saber como se prevenir contra elas. Nesse momento, o responsável pela APR deve indicar as medidas coletivas de proteção, bem como definir os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) recomendados para cada atividade, informando como devem ser utilizados.

Também é nessa etapa que vai ser apresentado como lidar com o risco, caso ele se concretize, a fim de que não se agrave. Todos os profissionais envolvidos precisam compreender as diretrizes da APR.

Ainda que a análise preliminar de risco se faça mais presente no dia a dia de setores como o de segurança do trabalho e medicina do trabalho, a empresa deve se preocupar em conscientizar a todos sobre a importância de manter o ambiente seguro, além de preservar a saúde física, mental e social de seus empregados.

Sua empresa já realiza a análise preliminar de risco? Comente abaixo sobre sua experiência!

Author
Ana Flávia Oliveira
Graduada em Enfermagem. Pós-graduada em Enfermagem do Trabalho, Ergonomia aplicada ao trabalho e em Gestão de Pessoas com Ênfase em Liderança Organizacional. Cursando Master in Business Administration - Executivo em administração: Gestão de Saúde. Experiência em grandes empresas há mais de 10 anos, com atuação na concepção, planejamento, implementação e gestão de saúde populacional e ergonomia, junto aos RHs, segurança do trabalho, medicina ocupacional e operadoras de saúde. Especialista em auditoria documental, gestão de indicadores e plano de ação
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