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Saúde ocupacional

Controle glicêmico através da atividade física: é possível?

Já falamos da relação da atividade física com o ganho de peso. Se perdeu, não deixe de ler Obesidade e sedentarismo: entenda essa relação. Agora, vamos falar de como não ficar diabético através da atividade física regular, ou melhor, da relação do controle glicêmico com o exercício. Confira!

Como a atividade física ajuda no controle glicêmico?

O trabalho muscular pode consumir glicose mesmo que pouca insulina esteja presente. Os músculos em exercício podem aumentar de 7 a 20 vezes a captação de glicose durante os 30 a 40 minutos iniciais, dependendo da intensidade. Em resumo, a atividade física é uma das principais medidas na prevenção do diabetes e para o controle glicêmico daqueles que já são diabéticos. Mas como? Listamos algumas situações a seguir:

Impacta o metabolismo dos carboidratos

Com o aumento da capacidade aeróbica, conquistado pela intensificação da atividade física diária, um benefício para a saúde é o seu efeito sobre o metabolismo dos carboidratos. Este benefício é potencialmente importante e frequentemente não reconhecido. O uso do carboidrato é fundamental para começar a atividade com um depósito adequado de glicogênio muscular e impedir a fadiga.

Durante o exercício dinâmico de intensidade moderada que atinge grandes músculos, o glicogênio armazenado no músculo esquelético é usado para a produção de energia e se esgota parcialmente. Além desse efeito agudo de aumento da remoção da glicose, há um aumento da sensibilidade dos receptores insulínicos do músculo esquelético e do tecido adiposo e, portanto, uma taxa de remoção mais eficaz da glicose a qualquer nível plasmático de insulina. Este efeito poupador de insulina do exercício físico reduz a produção de insulina, podendo reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes.

Intensifica o consumo de substratos energéticos

Durante a realização de uma sessão de exercício, o consumo de substratos energéticos, em especial glicose e dos ácidos graxos livres, aumenta de maneira considerável em relação ao repouso. Esses substratos são originados de depósitos intramusculares, da produção hepática ou da mobilização do tecido adiposo. Para que cheguem à célula muscular, esses substratos são transportados, dissolvidos na corrente sanguínea (glicose) ou agregados a proteínas, como a albumina (ácidos graxos livres).

Aumenta a concentração de cortisol

A concentração sanguínea de cortisol aumenta no exercício realizado em intensidades acima de 50% a 60% do VO2máx. É possível verificar seu VO2máx através do seu último teste ergométrico. Sua liberação estimula a gliconeogênese hepática, a lipólise no tecido adiposo e a degradação dos estoques de proteínas no fígado e na musculatura esquelética.

Dieta x atividade física

A dieta reduz o peso corporal e aumenta a tolerância à glicose e a ação da insulina. O treinamento físico, por sua vez, apesar de não alterar o peso corporal tanto quanto a dieta hipocalórica, aumenta a tolerância à glicose e a sensibilidade à ação da insulina de maneira mais intensa que a dieta hipocalórica. Esses resultados sugerem que a associação entre exercício físico e dieta hipocalórica pode provocar respostas aditivas na sensibilidade à insulina.

Fatores genéticos estão claramente envolvidos nas causas de diabetes, principalmente o tipo II, que se instala preferencialmente na maturidade. Contudo, as causas também estão ligadas ao excesso de peso, ao sedentarismo e às dietas ricas em gordura e em alimentos de alta densidade energética. A orientação personalizada para a prática de atividade física deve ser associada ao aconselhamento dietético para a redução da glicemia tanto para homens, como para mulheres.

Invista em atividade física regular

O Instituto Nacional de saúde Pública dos Estados Unidos (NIH na sigla em inglês) publicou há alguns anos o resultado do Programa de Prevenção de Diabetes, no qual algo chamado intervenção em estilo de vida intensiva reduziu drasticamente o risco de diabetes em mais de três mil pessoas. Os participantes seguiram uma dieta com pouca gordura e participaram de 150 minutos de exercício moderado, meia hora, cinco vezes por semana. Participantes do grupo de intervenção em estilo de vida reduziram o risco de diabetes em 58%. O exercício afastou a doença provavelmente pelo aumento do grau de velocidade em que a glicose é absorvida no tecido muscular, possivelmente superando a resistência à insulina.

Em resumo, o treinamento físico aumenta o fluxo sanguíneo muscular, o que facilita a ação da insulina e a captação da glicose, a agregação da insulina ao seu receptor e aumenta a atividade da enzima glicogênio sintase, o que aumenta a captação da glicose. Melhor que qualquer remédio para controle glicêmico.

Muitos estudos forneceram evidências cruciais de que os indivíduos ativos apresentam um risco 30-50% menor de diabetes não insulino-dependente (tipo II) do que os inativos. Na Grã-Bretanha, 7.735 homens foram acompanhados por aproximadamente 13 anos. Observou-se que o risco de desenvolver diabetes Tipo II foi reduzido em mais de 50% entre os homens mais fisicamente ativos comparados com os relativamente inativos. Na Finlândia homens que se exercitavam com intensidade moderada por mais de 40 minutos por semana reduziram seu risco de desenvolver a doença em 64% (2).

Os resultados apresentados acima deixam um recado claro: não há como ter saúde e qualidade de vida sem uma atividade física regular. Comece hoje!

Artigo escrito por Eduardo Arantes, Diretor Técnico da BeeCorp.

 REFERÊNCIAS:

  1. NEGRÃO, CE. ET AL. Cardiologia do Exercício. 2ª ed ver e ampli, SP: Manole, 2006.
  2. NIEMAN, D. C. Exercício e Saúde: como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento. 1. ed. – São Paulo: Manole, 1999.
  3. ROSSI, A. M. ET AL. Stress e qualidade de vida no trabalho: perspectivas atuais da saúde ocupacional. 1. ed. 2. reimpr. – São Paulo: Atlas, 2007.

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