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Saúde ocupacional

Os custos das doenças crônicas para as empresas

Todos nós corremos um grande risco de desenvolver doenças crônicas. Além das doenças transmissíveis, como a aids, podemos reuni-las em outra categoria chamada “doenças crônicas não transmissíveis” ou DCNT. São exemplos dessas as doenças cardiovasculares (DCV), respiratórias, o diabetes, a obesidade e o câncer.

Mas porque as empresas devem se preocupar em prevenir as doenças crônicas e estimular o seu controle? Confira!

Cenário das doenças crônicas

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 180 milhões de diabéticos no mundo e até 2030 é possível que este número mais que duplique. Além disso, 80% das mortes por diabetes ocorrem em países em desenvolvimento.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte global e até 2030, quase 23,6 milhões de pessoas morrerão de DCV. A mesma OMS diz que podemos ter a redução de até 80% dos casos de doença cardíaca, derrames e diabetes tipo 2 com dieta, atividade física, combate ao tabagismo e ao uso nocivo do álcool.

Conjuntura nos países

A esperança de vida nos EUA diminuiu pela primeira vez em 100 anos causada pelas doenças crônicas (tabagismo e obesidade). Nos EUA, os doentes crônicos são responsáveis por 75% dos 2 bilhões de dólares gastos com saúde no país. O custo anual com obesidade é de US$ 100 milhões, com o sedentarismo US$ 76 milhões e com o uso do tabaco US$ 50 milhões.

Na Austrália, o AVC é responsável por cerca de 2% dos custos com saúde e um estudo canadense mostrou que a redução de 10% no sedentarismo no país reduziria as despesas médicas em US$ 124 milhões, por ano.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) tiveram como foco o HIV/aids, tuberculose e malária, ou seja, doenças crônicas transmissíveis. Ficaram de fora as doenças crônicas não transmissíveis.

Doença multifatorial

A obesidade é uma doença multifatorial. Aliás, boa parte das doenças crônicas não transmissíveis são multifatoriais. Entre os fatores envolvidos, podemos citar fatores metabólicos, genéticos, ambientais e comportamentais.

Genética

A genética está comprovada. Quando os pais são obesos, existe risco de 80% dos filhos se tornarem obesos. Quando a mãe é obesa, as probabilidades são ainda maiores, porque geralmente é a mãe quem cuida da alimentação da família. Se os pais são magros, o risco é menor do que 10%.

Fatores comportamentais

Além da genética, o padrão alimentar dessas famílias é um fator importante na gênese da obesidade das crianças.

Como as empresas podem contribuir?

A OMS e o World Economic Forum realizaram um evento em Dalian, na China, em 5 e 6 de setembro de 2007, com os seguintes objetivos globais em relação as doenças crônicas não transmissíveis. Muitas ações estão diretamente relacionadas ao ambiente de trabalho:

  • Revisão atual do estado de conhecimento soa prevenir as DCNT no local de trabalho, com referência específica à dieta e à atividade física.
  • Reafirmar a razão pela qual o trabalho é um ambiente adequado para a prevenção de DCNT e quais intervenções são baseadas em evidências para prevenir doenças pela promoção de uma alimentação saudável e atividade física.
  • Delinear os benefícios econômicos e de custo-eficácia da prevenção de DCNT em programas de promoção da saúde abordando, especificamente, dietas saudáveis e atividade física.
  • Discutir os instrumentos de acompanhamento e avaliação na prevenção de DCNT no local de trabalho que tratam de regimes alimentares saudáveis e atividade física.
  • Resumir o papel dos diferentes intervenientes no desenvolvimento e na implementação de programas de prevenção das DCNT por meio de dieta saudável e atividade física no local de trabalho.

Nove anos já se passaram. As doenças crônicas devem ser encaradas como um grave problema de saúde pública com responsabilidades diretas da sociedade, governos e empresas.

As empresas podem preveni-las e estimular o seu controle.

  Artigo escrito por Eduardo Arantes, Diretor Técnico da BeeCorp.

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