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Doenças do coração e atividade física
Saúde

Doenças do coração e atividade física: entenda a relação

A American Heart Association define claramente fatores de risco para doenças do coração. Apesar de alguns dos fatores não poderem ser alterados: hereditariedade, ser do sexo masculino e o aumento da idade. A boa notícia é que boa parte deles podem.

Podemos destacar o tabagismo, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e a inatividade física. Por fim, outros fatores contribuintes: diabetes, obesidade e estresse.

A inatividade física é de longe o fator mais predominante em todos os levantamentos epidemiológicos pesquisados. Por isso, vamos entender melhor a relação das doenças do coração com a atividade física? Confira!

Vamos começar falando da pressão alta

A hipertensão arterial é o fator de risco mais importante para comprometimento das artérias do coração e acomete mais de 60% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio no Brasil.

Além disso, é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria precoce e de absenteísmo no trabalho, segundo dados publicados nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. A adoção de um estilo de vida mais saudável tem sido amplamente recomendada para prevenção e tratamento da hipertensão arterial.

Controle da pressão através da atividade

A prática regular de exercícios físicos vem sendo indicada por profissionais de saúde como um meio mais efetivo para o controle dos níveis elevados de pressão arterial.

Pelos conhecimentos adquiridos nas ultimas décadas, é possível descrever que após a realização de uma única sessão de exercício físico dinâmico, os níveis de pressão arterial diminuem e permanecem abaixo dos níveis pré-exercício.

Esta resposta fisiológica denominada na literatura como hipotensão pós-exercício, pode ser observada tanto no indivíduo normotenso (aquele que apresenta a pressão dentro dos padrões normais), mas principalmente, em pacientes hipertensos. Este comportamento da pressão arterial pode ser modulado por diversos fatores: o nível da pressão arterial e a duração e intensidade do exercício físico realizado.

Vale ressaltar que a hipotensão pós-exercício é observada quando os exercícios dinâmicos são realizados em intensidades submáximas, variando de 30% e 80% do consumo de oxigênio de pico.

Enquanto uma única sessão de exercício físico leva a comportamentos fisiológicos transitórios, a realização de várias sessões de exercício produz adaptações crônicas que podem ser denominadas de respostas ao treinamento físico. Hoje, há consenso que um programa de treinamento aeróbico pode reduzir os níveis de pressão arterial, principalmente em indivíduos classificados nos estágios 1 e 2 da hipertensão arterial.

Treinamento físico para a prevenção da hipertensão

A prática regular de exercícios físicos resulta em importantes adaptações autonômicas e hemodinâmicas. Elas influenciam, sobremaneira, o sistema cardiovascular, atuando diretamente na prevenção e no tratamento de diversas patologias, entre elas a hipertensão arterial.

Estudos longitudinais demonstram que a prevalência de hipertensão arterial é inversamente relacionada ao nível de capacidade física. E mais, o risco relativo de se tornar hipertenso é aproximadamente 50% maior em pessoas com baixa capacidade física, quando comparadas às pessoas com alta capacidade física.

Assim, o treinamento físico tem sido colocado como um elemento de inquestionável importância na prevenção do desenvolvimento da hipertensão arterial.

Pessoas inativas apresentam risco quase duas vezes superior de desenvolver doença arterial coronariana e hipertensão arterial sistêmica quando comparadas às que praticam atividade física regular. O estudo japonês conhecido como Osaka Health Survey relata que homens que caminharam pelo menos 20 minutos no seu deslocamento para o trabalho reduziram em 29% o risco de hipertensão arterial comparados aos homens que gastam 10 minutos ou menos.

Ainda em relação a prevenção, vários estudos importantes demonstram que indivíduos inativos e não treinados apresentam risco aumentado de 20 a 50% de desenvolver hipertensão. Num estudo de 6 a 10 anos com 15 mil ex-alunos de Harvard, por exemplo, aqueles que não praticavam esportes nem uma atividade física intensa apresentavam um risco 35% maior de se tornar hipertenso.

A atividade física regular previne ou retarda o desenvolvimento da hipertensão arterial, além de reduzir a pressão arterial das pessoas hipertensas. Por isso, quer melhorar seus níveis de pressão, reduzir a dose de medicamentos para pressão alta e não ficar hipertenso? Faça exercícios físicos regularmente.

Sedentarismo e doenças do coração

O sedentarismo é importante fator de risco cardíaco e para a doença coronariana. Em conjunto, os estudos sugerem que a inatividade física em si, duplica o risco de doença coronariana, um efeito similar em magnitude ao do tabagismo, da hipertensão arterial ou do colesterol elevado.

E pensar que até 1992 a American Heart Association não incluía a inatividade física na sua lista dos “principais fatores de risco que podem ser alterados”. Não há desculpa, nos últimos 25 anos só falamos dos benefícios da atividade física.

Algumas evidências

Estudos demonstraram que sedentários apresentam o dobro do risco para desenvolver evento coronariano quando comparados aos fisicamente ativos. A prática de atividade física, ou mesmo um estilo de vida mais ativo, tem demonstrado ser um meio de proteção contra ocorrências de doenças cardiovasculares. Reduzindo não só a mortalidade cardiovascular, mas também a mortalidade por todas as causas.

Evidências nesse sentido surgiram a partir da década de 1959, sendo definitivamente comprovadas na década de 1990. Concluiu-se que a baixa atividade física, tanto avaliada no ambiente de trabalho, como a que foi observada nas horas de lazer, conferiu risco relativo próximo de 2 para o desenvolvimento de doença coronariana em homens.

Estudos mais recentes, incluindo uma metanálise de 23 grandes estudos observacionais do tipo coorte, reafirmou a relação entre o decréscimo de risco de doença coronária e cardiovascular com o aumento da quantidade de atividade física realizada.

A coorte conhecida por Nurses Health Study gerou vários estudos sobre estilo de vida, confirmando que a atividade física está associada à redução da mortalidade cardiovascular em mulheres. O acompanhamento de 84 mil enfermeiras por 14 anos definiu ter baixo risco de doença coronariana as praticantes de atividade física moderada ou vigorosa por pelos menos 30 minutos por dia.

Já homens finlandeses com maior nível de atividade física ou capacidade aeróbica tiveram associação forte, gradual e inversa ao risco de infarto agudo do miocárdio. Homens que se exercitavam por mais de 2,2h por semana tiveram seu risco reduzido em cerca de 70% quando comparados com os menos ativos.

Atividade física e saúde

A associação inversa entre atividade física e mortalidade está relacionada provavelmente à melhoria da condição cardiovascular e respiratória induzida pela atividade física.

Em um estudo foram avaliados 6.213 homens por teste ergométrico em esteira, por aproximadamente 6 anos. O objetivo era verificar se a capacidade máxima do exercício é um preditor independente de risco de morte e se é marcador de risco tão forte como os outros já estabelecidos.

Depois de ajustadas a idade e a capacidade de pico de exercício, a Medida em Equivalente Metabólico (MET) foi o mais forte preditor de risco de morte. Para cada MET de incremento na capacidade de exercício se observou 12% de aumento na sobrevida. O risco de morte apresentou relação direta e inversa com a capacidade física máxima.

A ACSM (American College of Sports Medicine) reafirma que a capacidade aeróbica está relacionada com a saúde. As pessoas que evitavam exercícios aeróbicos apresentaram um risco marcadamente crescente de morte prematura devido a qualquer causa, especialmente doenças cardíacas.

Iniciar e manter um estilo de vida saudável é um dos maiores desafios da vida moderna. Sei que é clichê, mas uma grande jornada começa com o primeiro passo. Literalmente.

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Artigo escrito por Eduardo Arantes, Diretor Técnico da BeeCorp.

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