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Saúde Ocupacional

SIPAT: tudo que você precisa saber e como promovê-la

Quem trabalha em uma empresa cuidando da saúde dos trabalhadores, ou com a gestão de pessoas, sabe bem como são grandes as chances de desenvolvimento de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Afinal, os colaboradores estão sujeitos a estresse, cansaço, insatisfações pessoais e profissionais, e, nem sempre, o ambiente de trabalho possui a qualidade e a infraestrutura adequada para que eles se sintam confortáveis e desenvolvam bem suas atividades.

Essa exposição a situações adversas, bem como a falta de ergonomia no local de trabalho e de investimentos em bem-estar podem, inclusive, ser fatores que explicam o alto índice de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais no ambiente corporativo.

E é justamente para minimizar esses riscos no ambiente de trabalho que a Norma Regulamentadora número 5 (NR-5) exige que as corporações promovam, anualmente, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT).

Vamos entender o que é a SIPAT e como ela pode melhorar o dia a dia na empresa? Continue a leitura e confira neste artigo:



O que é a SIPAT, e de quem é sua responsabilidade?

A SIPAT é uma das atribuições obrigatórias da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), também exigida pela NR5. Segundo a norma:

Devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados.

E essa comissão deverá ser composta por representantes do empregador e dos empregados, tendo como objetivo:

a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.

Assim, como o próprio nome remete, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho busca justamente a prevenção. O que se dá por meio de atividades e palestras para conscientizar e educar os trabalhadores, contribuindo ativamente para a redução de acidentes de trabalho.

Mas afinal, o que é considerado um acidente de trabalho? Segundo a definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), podemos defini-lo como a

ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada ao exercício do trabalho, que provoca lesão pessoal ou que decorre de risco próximo ou remoto dessa lesão.

Segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a cada 15 segundos um trabalhador morre por acidente laboral ou doenças ocupacionais e outros 115 se acidentam no ambiente de trabalho.

Outras estatísticas, também divulgadas pela OIT, apontam que, aproximadamente, 86% dos óbitos anuais que ocorrem em ambientes laborais em todo o mundo são causados por doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

Só no Brasil, no ano de 2014, foram registrados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cerca de 704,1 mil acidentes do trabalho.

O que oferecer em uma SIPAT?

Antes de pensar em quais atividades e temas devem ser trabalhados, é preciso pensar nos maiores riscos de saúde e de acidentes aos quais os trabalhadores estão expostos.

Posteriormente, conhecendo o perfil da equipe, veja quais são as melhores maneiras de se promover a conscientização. Procure as estratégias que, efetivamente, levarão o trabalhador à reflexão e à mudança de hábitos, gerando uma prevenção efetiva.

Apenas munido dessas informações é que é possível selecionar as atividades de forma assertiva.

Palestras, por exemplo, são essenciais — mas, além de informativas, elas precisam ser atrativas. Nesse sentido, vídeos, infográficos e momentos de interação são excelentes estratégias para conquistar a atenção e aceitação dos colaboradores.

Algumas empresas realizam dinâmicas de grupo, gincanas, teatros empresariais, circuito saúde — ação na qual são mensurados diversos indicadores de saúde dos colaboradores, como gordura corporal, glicemia, pressão arterial, peso, altura, IMC.

Estratégias bem inteligentes, sem dúvida, uma vez que são ações motivadoras e divertidas, que aumentam o envolvimento do trabalhador. De toda forma, a SIPAT pode abordar diversos temas, de acordo com as necessidades e especificidades de cada empresa.

E, apesar de ser um evento de prevenção de acidentes de trabalho, muitas empresas aproveitam o momento para debater também assuntos relacionados ao bem-estar corporativo e à saúde ocupacional.

Nesse caso, vejamos algumas sugestões de temas interessantes de serem trabalhados:

  • prevenção e combate ao incêndio;
  • prevenção de acidentes de trabalho e de trajeto;
  • hábitos saudáveis: alimentação e atividade física;
  • equipamentos de proteção individual;
  • ergonomia;
  • programas de qualidade de vida no trabalho;
  • doenças ocupacionais, como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho): o que são e como preveni-las;
  • saúde do trabalhador: principais cuidados;
  • estresse;
  • alcoolismo e tabagismo.

Quais as principais melhorias que a SIPAT traz para o cotidiano?

O que acontece na SIPAT, não fica na SIPAT — tudo o que os trabalhadores aprendem deve ser colocado em prática no seu cotidiano. Só assim essa semana de educação e conscientização dos colaboradores pode melhorar, efetivamente, o dia a dia da sua empresa.

Desse modo, o trabalhador se sente cuidado, querido, e se empenha mais para executar bem suas tarefas, focado e sem risco. Além disso, outra melhoria que a SIPAT pode trazer é a de escolha de hábitos de vida mais saudáveis, o que ajuda na prevenção de doenças crônicas e até mesmo de LER/DORT.

A conscientização postural também costuma ser um grande ganho. Afinal, o trabalhador aprende essas e outras noções de ergonomia, e passa a aplicá-la na sua rotina.

Enfim, vale ressaltar que, com mais consciência dos riscos e dos agravos à saúde a que está sujeito, o colaborador acaba se cuidando mais e executando suas tarefas com mais concentração e eficiência.

Perguntas e respostas sobre a execução do SIPAT na empresa

Realizei minha primeira SIPAT na primeira semana de Maio do ano passado. A próxima deve ser, obrigatoriamente, na mesma data deste ano?

A legislação diz que o encontro deve ser realizado anualmente, mas não entra em detalhes quanto a datas específicas. Então, de acordo com o que vemos no mercado, você pode muito bem marcar em maio, em um ano e, no outro, em agosto, por exemplo — desde que haja um SIPAT todo ano.

Qual deve ser a duração de uma SIPAT?

O termo “semana” na sigla não é meramente figurativo — a legislação exige que as atividades da SIPAT sejam realizadas durante uma semana inteira de expediente na sua empresa.

De fato, isso não implica que você deve fazer palestras de conscientização todos os dias da semana. No entanto, em cada um dos dias dessa semana deve haver, ao menos, alguma atividade de orientação e conscientização. Podem ser oficinas, rodas de conversa, dinâmicas com o RH etc.

Há algum tema obrigatório?

Lembra da nossa lista de sugestões de temas? Alguns deles, por serem questões importantes de saúde pública, devem ser abordados todo ano, obrigatoriamente. São eles: DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis, tabagismo e alcoolismo.

Falar desses temas é essencial para a sua empresa, visto que eles representam causas importantes de doenças, as quais podem levar a ausências ou até ao afastamento de algum funcionário.

De fato, a legislação não obriga que esses assuntos sejam tratados, necessariamente, na SIPAT. Ainda assim, essa inclusão é uma excelente oportunidade para a sua empresa.

É interessante contratar palestras gratuitas?

O ideal é que você contrate uma empresa especializada em segurança do trabalho para te ajudar a organizar a SIPAT. Mas nada impede que algumas palestras sejam ministradas por entidades que ofereceram seu serviço gratuitamente.

Para isso, contudo, é bom procurar saber todas as informações sobre o palestrante para decidir se o inclui, ou não, na programação.

Muitas igrejas, por exemplo, podem oferecer palestras sobre determinados temas. No entanto, algumas delas o fazem com o intuito de tentar converter seus funcionários. E isso pode ofendê-los, criando até um grande problema para a sua empresa.

Portanto, uma boa opção para tratar de temas básicos de segurança são as palestras gratuitas dos profissionais da ANVISA. A experiência deles, aliada à missão idônea da entidade, garante um conteúdo de credibilidade que, realmente, agrega conhecimento a seus funcionários.

Em relação a temas mais específicos, como o uso de EPI, você pode contar com as empresas que fornecem seus produtos de proteção. Até porque, como eles querem manter os clientes fiéis, eles te enviarão uma equipe preparada com as melhores informações.

Quem, na empresa, deve se envolver com a organização do SIPAT?

Geralmente, em empresas menores, os profissionais do RH são os principais responsáveis. Eles devem entrar em contato com empresas palestrantes e organizadoras, elaborar atividades e oficinas, avisar os funcionários sobre a data e a importância do evento etc.

Agora, se a sua empresa contar com técnicos ou médicos do trabalho, essa função também pode ser delegada a eles.

Como motivar seus funcionários a participar da SIPAT?

1. Abrir espaço para sugestão de temas

Você pode fazer do SIPAT uma data pela qual os seus funcionários esperam. Uma forma de fazer isso é criar uma caixinha, ou um abrir um espaço de e-mail para que eles sugiram temas que considerem relevantes. Também, pode perguntar se há algum palestrante que eles gostariam muito de ouvir, e tentar contratá-lo.

O Christian Barbosa (o guru da produtividade), por exemplo, é uma presença muito produtiva, que costuma atrair diversos funcionários. Outra participante bem cotada é a famosa Monja Coen, que fala de temas cotidianos de uma forma leiga, e sem professar nenhuma religião.

2. Incluir temas irreverentes

Em algum dos painéis, você pode incluir outros temas que interessem e divertam os funcionários. Por exemplo: em uma palestra, inclua o tema “como não se estressar com seu chefe”.

Sem dúvida, um título que vai atrair muitos pela brincadeira — mas que pode servir de veículo para falar de temas importantes, como técnicas de relaxamento, trabalho em grupo, a importância das normas de segurança, entre tantos outros assuntos.

3. Fornecer um coffee break

Oferecer um bom buffet de coffee break é sempre uma ótima ideia, afinal, todo mundo gosta de comer “de graça”, não é? Então, se você condicionar um bom lanche à participação na SIPAT, certamente, a presença será maior.

4. Criar um “dia aberto à família”

Outra forma bem eficaz de atrair os funcionários é deixar as portas da sua empresa abertas para a família dos colaboradores. Muitos deles morrem de vontade de mostrar aos pais, aos cônjuges e aos filhos o que eles fazem, e em que ambiente trabalham. E a SIPAT pode ser o momento ideal para isso.

Nesse sentido, você pode incluir palestras interessantes com temas para toda a família, e melhorar o vínculo do funcionário com a sua empresa. Assim, além de incentivar a participação na SIPAT, o funcionário passará a valorizar mais ainda o seu local de trabalho.

Como garantir o aprendizado e o envolvimento dos funcionários?

Bem, mesmo eles estando muito motivados, a SIPAT pode acabar sendo um fracasso. Por quê? Provavelmente, as atividades propostas por você eram entediantes ou pouco relevantes.

Então, para evitar isso, aqui vão algumas dicas de como aumentar o envolvimento dos seus colaboradores na SIPAT:

1. Intercale palestras com atividades dinâmicas

Apesar de importantes, as palestras são muito cansativas. Por isso, não é produtivo obrigar seus funcionários a ouvir 5 horas diretas sem interação ou intervalos.

Nesse sentido, atividades dinâmicas, como oficinas, podem ser bem interessantes para que eles apliquem o que acabaram de aprender nas palestras.

2. Faça rodas de conversa

A maioria das pessoas ama falar e dividir suas experiências. Assim, as rodas de conversa são ideais, porque permitem aos colaboradores dividir o que aprenderam, desabafar seus incômodos e fortalecer a relação com os demais colegas.

3. Distribua brindes

Você ainda pode entregar um brinde para os funcionários que participaram de todas as atividades. Nesse caso, deve ser algo significativo e agradável, como um bombom ou uma necessaire. Evite canetas e materiais de escritório — isso raramente motiva as pessoas.

Conclusão

Enfim, com essas dicas, temos certeza que sua SIPAT vai ser um sucesso! Lembre-se: é essencial garantir o engajamento máximo dos seus funcionários com essa semana, pois ela é um excelente momento para falar de temas importantes e dar dicas que, realmente, diminuem o risco ocupacional.

Infelizmente, a ocorrência de acidentes de trabalho é mesmo muito alta no Brasil. Segundo o ranking mundial da Organização Internacional de Trabalho (OIT), nosso país é o 4º com mais óbitos por acidentes de trabalho em todo o mundo!

E podemos constatar a gravidade dessa situação analisando também os dados da Previdência Social. Segundo suas estatísticas, entre 2007 e 2013 ocorreram 5 milhões de acidentes de trabalho, dos quais 45% resultaram em mortes, invalidez ou afastamento permanente ou temporário dos postos de trabalho.

Além disso, os gastos provindos de acidentes de trabalho são muito altos. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou um total de R$ 58 bilhões com indenizações aos acidentados no mesmo período (2007 a 2013).

Diante de tudo isso, a SIPAT é uma exigência legal, mas também uma excelente estratégia para prevenir acidentes e doenças ocupacionais, promover uma maior eficácia na execução de tarefas, diminuir os riscos e os casos de afastamento. Proporcionando, assim, um maior bem-estar para os colaboradores — e, é claro, para a empresa.

E aí, gostou do nosso artigo? Sobrou alguma dúvida sobre a SIPAT? Deixe-nos o seu comentário e compartilhe sua opinião e experiência conosco!