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Depressão e seus impactos
Saúde

Os impactos da depressão e a importância de atuar no combate dessa doença

A depressão é conhecida como o mal do século. Estimativas mostram que, no Brasil, a doença aumentou 18% entre 2005 e 2015, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que mais de 322 milhões de pessoas no mundo apresentam esse transtorno (entre todas as idades e classes sociais). Já é possível perceber como a promoção da saúde mental é fundamental, não é mesmo?

Com um cenário tão negativo e sem perspectiva real de melhora, a situação tem provocado uma mobilização geral. É preciso fomentar a conscientização sobre a doença, prevenindo e tratando seus efeitos.

Confira os principais pontos sobre a depressão neste texto: dados relacionados à doença, possíveis causas e como identificar uma pessoa com depressão. Por fim, quais os impactos desse transtorno para a economia e encerramos com um plano de ação. Acompanhe!

Depressão: características da doença e sua presença na população

Em 2017, a OMS apresentou o documento Depression and Other Common Mental Disorders – Global Health Estimates. Nele, são apresentados dados mundiais e regionais sobre a doença.

A situação é tão preocupante que a organização afirmou que, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Cenário que reflete uma série de dados alarmantes:

  • por volta de 4% da população mundial tinha depressão em 2015;
  • entre 2005 e 2015, a doença teve um aumento de mais de 18% nos casos;
  • a região que mais apresenta casos desse transtorno é o Sudeste da Ásia (27% dos casos mundiais);
  • essa é uma doença que afeta mais mulheres do que homens, sendo mais comum em adultos acima dos 55 anos.

O Brasil em dados: país é o mais depressivo da América Latina

Os dados sobre o Brasil mostram que o país ocupa a primeira posição na América Latina e a segunda em todas as Américas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Segundo a OMS, a depressão afeta um total de 11,5 milhões de brasileiros. Esse número representa 5,8% da população total.

É difícil identificar quais são os fatores sociais presentes no país que favoreçam os números elevados de casos. Em estudo publicado na revista Economia Aplicada, a escolaridade é um fator de risco na população. Quanto mais anos na escola, maior a chance de desenvolver a doença.

Os dados da pesquisa também apontam que residir em áreas urbanas é um fator favorável para o desenvolvimento desse transtorno. No entanto, não se observa uma variável que possa justificar diretamente o motivo do Brasil ser um dos países mais depressivos do mundo.

Pandemia: o crescente aumento dos casos

Conforme pesquisas, houve um aumento considerável da depressão durante a pandemia, principalmente em relação às pessoas que precisam sair de suas casas todos os dias para trabalhar. Entre as principais causas desse aumento estão:

  • medo de contrair o vírus nas ruas ou no ambiente laboral;
  • incerteza em relação à manutenção do emprego;
  • medo de passar fome;
  • angústia pelo isolamento;
  • alterações no dia a dia da empresa, que busca se adaptar ao “novo normal”, entre outros.

Isso gera uma maior vulnerabilidade, fazendo com que as incertezas possam provocar um adoecimento mental ou agravar os casos de pessoas que já tinham latentes a esse tipo de doença.

Identificando a depressão: quais são as principais causas e sintomas da doença

A depressão é objeto de muitos estudos. Existem diferentes focos de pesquisa, sendo que um deles é compreender melhor os mecanismos dessa doença.

Por mais que se saiba sobre a existência de diferentes fatores que podem influenciar o desenvolvimento desse transtorno, ainda se entende pouco sobre a doença. Até o momento, algumas das causas relacionadas com o desenvolvimento da depressão são:

  • acontecimentos estressantes;
  • doenças graves e/ou debilitantes;
  • alterações hormonais;
  • remédios;
  • fatores biológicos;
  • ritmo e ambiente de trabalho.

A depressão é caracterizada por um sentimento de tristeza intenso, perda de interesse em todas as atividades, sentimento constante de culpa, além de distúrbios do sono e apetite. Por mais que tenha diferentes causas possíveis, essa é uma doença que pode ter também um fator biológico.

No entanto, a associação entre o cenário da depressão e o atual ritmo de trabalho (característico da sociedade da informação) aponta para um desenho dessa doença. O aumento da pressão no trabalho demonstra que esse é um dos principais problemas que levam os trabalhadores a adoecer.

É importante que a empresa tenha uma atitude ativa na identificação desse transtorno. Por ser o ambiente em que as pessoas passam mais tempo no dia, pode-se identificar quaisquer alterações e agir. Analise as ausências do funcionário, percebendo se estão ligadas a uma diminuição da produtividade.

Em casos de suspeita, estabeleça um canal de comunicação. Busque um psicólogo para auxiliar na abordagem do tema com o colaborador.

Impacto na sociedade: como a depressão influencia a economia

Devido ao aumento do número de casos, em conjunto com a sua relação com o trabalho, a depressão oferece um risco grande para a economia global.

Por provocar sintomas severos, esse transtorno faz com que o trabalhador precise se afastar de suas funções. Nos casos em que há a permanência no emprego, a produtividade é diretamente afetada.

Segundo a OMS, a depressão está associada a um desempenho inferior no trabalho. Além disso, a aposentadoria precoce seria responsável por grande parte dos gastos do estado com a doença. Nesse mesmo documento, a organização ainda destacou que essa é a segunda causa de afastamentos do trabalho.

Por ser uma doença tratável, os números impressionam. O alto impacto econômico está ligado à ausência de tratamento. Por mais que tenha sintomas marcados e que seja fácil de ser identificada, a depressão ainda sofre com o tabu e com a falta de profissionais especializados nas empresas. Se precocemente identificada e tratada, o impacto da doença é bastante reduzido.

Ação estratégica: como a sua empresa pode combater a depressão

Para evitar os impactos que a depressão causa, as empresas podem adotar medidas simples. O ideal é um programa de conscientização sobre a doença em conjunto com a promoção de um ambiente mais saudável.

Promova o bem-estar no trabalho

O primeiro passo para lidar com a depressão é oferecer um ambiente mais saudável. As ações de promoção de bem-estar estão ligadas diretamente com a satisfação do funcionário.

Além de estimular uma cultura de respeito entre todos, deve-se considerar melhorias no espaço de trabalho. Assim, estimula-se um ambiente melhor, diminuindo o estresse.

Crie um programa de qualidade de vida

Desenvolva atividades que estimulem a qualidade de vida entre os colaboradores. Exercícios físicos, alimentação saudável e a importância de atividades de lazer são alguns dos temas essenciais.

Mostre aos colaboradores que existem recursos que auxiliam no combate ao estresse. Além disso, aproveite esse espaço para falar sobre a saúde mental, diminuindo o preconceito com o tema.

Realize atividades diferenciadas

Promover uma vida mais saudável é compreender que outras atividades são necessárias. Por isso, crie um calendário de pequenos eventos diversificados.

Realize happy hours, crie um dia de exercícios na empresa, estimule comemorações de aniversários e outras realizações. Permita que o trabalho tenha momentos de confraternização e lazer, ajudando na construção de um bom relacionamento.

Não deixe de realizar atividades voltadas para a saúde do trabalhador. Essas pequenas quebras na rotina promovem um refresco, ao mesmo tempo em que demonstram que a vida no trabalho pode ser prazerosa.

Invista no mindfulness

Esse método tem a finalidade de incentivar os funcionários a se concentrarem no presente, evitando pensamentos pretéritos, que podem estar ligados à depressão, ou pensamentos baseados no futuro, que podem levar à ansiedade.

Por meio dessa prática, é possível fazer com que a equipe se torne mais ativa, já que cada integrante focará nas tarefas mais relevantes, gerando um aumento de produtividade, além da melhora no desenvolvimento, saúde mental e habilidade criativa do trabalhador.

Isso porque, ao aprender a identificar sensações corporais, pensamento e emoções, fica mais fácil realizar escolhas mais conscientes, gerando impactos diretos com os desafios da rotina, além de proporcionar a criação de espaço mental, mesmo nos momentos mais difíceis.

Ofereça quick massage

Trata-se de uma massagem rápida e relaxante, que dura, em média, 15 minutos por sessão, sendo uma ótima alternativa para quem não tem tempo para receber uma massagem completa. Normalmente, é feita nos membros superiores, como na região cervical até a lombar, ombros, braços, antebraços e mãos.

A busca por essa técnica tem aumentado de forma considerável por empresas que querem promover a saúde, bem-estar e qualidade de vida no ambiente de trabalho, principalmente pelos seus benefícios, como:

  • redução da tensão muscular;
  • combate ao estresse laboral;
  • minimização da sensação de fadiga;
  • aumento da circulação sanguínea;
  • melhora na disposição.

Faça palestras de conscientização

É importante que as organizações estejam atentas aos comportamentos dos trabalhadores, para ter a certeza que está tudo certo com a saúde mental de cada um.

O problema é que, em muitos casos, os colaboradores não conseguem identificar os sintomas de depressão, que podem afetar tanto a vida pessoal quanto profissional. Alguns empregados até conseguem identificar os sinais, mas precisam de auxílio para evitar o agravamento da situação.

Por meio de uma palestra de conscientização é possível aplicar as técnicas mais apropriadas para transmitir a mensagem principal de forma objetiva e leve, levando a uma reflexão com o intuito de fazer com que os participantes possam compreender as situações de depressão no ambiente laboral.

É possível utilizar as palestras para explicar o que são as doenças mentais, como elas se desenvolvem, os principais sintomas, a importância de procurar ajuda profissional, tratamentos que costumam ser realizados, entre outros.

Uma ideia é utilizar a campanha Setembro Amarelo, já que é uma data utilizada para gerar mais conscientização em relação à prevenção do suicídio, e alertar as pessoas sobre a gravidade da realidade desse problema no Brasil e no mundo.

É um momento de diálogo, que busca elaborar várias conversas sobre o tema e mostrar para os indivíduos que passam por esse tipo de desafio que eles não estão sozinhos e que existem vários meios de solucionar o problema. Entre as vantagens das palestras, podemos citar:

  • estimula a procura por ajuda;
  • reduz o preconceito dos colaboradores sobre a doença;
  • promove o autoconhecimento, autoconfiança e autoestima;
  • auxilia no controle dos pensamentos negativos;
  • aprimora a qualidade de vida no trabalho e fora dele.

Essas pequenas ações fazem uma diferença enorme. Com elas, as empresas demonstram que os funcionários não são apenas ativos da empresa, e sim seres humanos.

Mantenha seus colaboradores engajados enquanto promove o bem-estar geral. A depressão é uma doença séria e o trabalho pode ajudar a mudar essa situação.

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