Blog da Beecorp

Saúde ocupacional

Obesidade e sedentarismo: entenda essa relação

A epidemia global da obesidade resulta da combinação de suscetibilidade genética com fatores ambientais. Entre os fatores ambientais, a abundância de alimentos palatáveis de baixo custo é, indubitavelmente, uma das causas que mais contribuem para essa epidemia. Nos últimos anos, ninguém sofreu uma mutação genética e se tornou obeso. Simplesmente ocorreu uma mudança nos hábitos e no estilo de vida. Outro consenso da causa do aumento da obesidade no mundo industrializado é o consumo de grande proporção de calorias derivadas da gordura, associado a um estilo de vida sedentário.

A obesidade tem sido relacionada com a maioria das principais doenças que acometem homens e mulheres contemporâneos. As pessoas obesas são mais vulneráveis às doenças. Pelo menos oito problemas importantes estão relacionados à obesidade:

  1. Alterações emocionais;
  2. Osteoartrite;
  3. Hipertensão arterial;
  4. Aumento dos níveis de colesterol e triglicérides;
  5. Diabetes;
  6. Doença cardíaca;
  7. Câncer;
  8. Morte súbita.

BLOG_CTAs_Grupos especiais

Mas o sedentarismo leva à obesidade ou a obesidade leva à inatividade física?

A maioria dos estudos demonstra que crianças e adultos obesos são menos ativos do que as pessoas com peso normal.

Os indivíduos fisicamente mais ativos tendem a possuir um IMC (Índice de Massa Corporal) menor do que seus correspondentes sedentários. E, em qualquer peso corporal, têm uma massa muscular maior. Ainda que o consumo de calorias muitas vezes aumente quando as pessoas sedentárias aumentam substancialmente seu exercício, elas apresentam geralmente alguma perda de tecido adiposo.

As pessoas que incluem o exercício físico como parte de seu programa para a perda de peso são mais bem sucedidas em manter o peso ideal. Por estas razões, o exercício juntamente com uma nutrição apropriada, pode melhorar o estado de saúde, contribuindo para a manutenção da composição corporal ideal.

E o famoso metabolismo?

Além do aumento das calorias gastas durante o exercício, há algumas evidências de que o metabolismo em repouso aumenta por um período prolongado após o exercício. O metabolismo basal com qualquer peso corporal também aumenta. Os indivíduos queimam calorias de três formas:

  • Metabolismo de repouso: é a energia gasta para a manutenção da temperatura e dos sistemas do organismo. Permanece relativamente estável ao longo do tempo. Ele corresponde a aproximadamente 60-70% do gasto energético diário. Cerca de 70-80% desse componente varia de acordo com a massa magra, idade, sexo, hormônios, sistema nervoso simpático e massa gorda.
  • Termogênese: corresponde ao aumento no metabolismo de repouso em resposta a estímulos como a ingestão de alimentos, exposição a altas ou baixas temperaturas e estresse psicológico. Corresponde a 5% a 15% do gasto energético diário. A composição do alimento consumido influencia no gasto energético.
  • Atividade física: corresponde entre 20% a 30% do gasto energético diário total. Porém, pode aumentar para 40% em indivíduos ativos.

Qual a relação da genética com a obesidade?

Os obesos são considerados pela medicina moderna como portadores de genes que favorecem a obesidade. Os genes envolvidos na obesidade regulam o balanço energético do organismo.

Na maioria dos estudos, o treinamento físico provoca gasto calórico adicional pouco expressivo na redução do peso corporal de indivíduos obesos mesmo sob orientação dietética hipocalórica. Qualquer perda de peso alcançada com exercício físico moderado pode ser facilmente revertida por pequeno aumento compensatório no consumo alimentar.

Por exemplo, num estudo cuidadosamente conduzido por um ano com 350 homens e mulheres na Stanford University, três a cinco sessões de exercícios de 30 a 40 minutos por semana não tiveram efeito significativo sobre o peso corporal, apesar de uma melhoria de 5 a 8 por cento na aptidão aeróbica. Em outras palavras, o exercício fez com que os indivíduos ficassem mais bem treinados, mas não os tornou mais magros.

Outros estudos demonstraram que quando quantidades moderadas de exercícios aeróbicos (duas a sete horas por semana) são combinadas com uma dieta reduzida, a perda de peso não é acelerada, sendo, no máximo, de alguns poucos quilos a mais. Parece que, para o exercício aeróbico ter um efeito importante sobre a perda de peso, são necessárias sessões diárias de exercícios de longa duração (mais de uma hora) e de alta intensidade. Algo que a maiorias das pessoas com excesso de peso não pode realizar (ou não quer).

Atividade física e células musculares

Em resposta ao treinamento aeróbico regular, muitas adaptações ocorrem nas células musculares. O músculo armazena mais combustível, tanto carboidratos quanto gorduras, e produz mais enzimas e mitocôndrias para queimar combustível adequadamente. Os músculos especialmente tornam-se hábeis em queimar gordura como combustível. Isto é importante porque a gordura é mais abundante do que os carboidratos.

Impacto da ingestão calórica no combate à obesidade

O controle de peso corporal e a prevenção da obesidade devem utilizar recursos de adequação da ingesta calórica e incremento da atividade física associados a procedimentos que promovam a auto estima, discutam as percepções sobre os cuidados, a aparência e a imagem corporal.

Num mundo sedentário, com grande fartura de alimentos calóricos, perder peso é empenhar-se numa batalha contra a biologia que rege a espécie humana, somente a melhora da capacidade aeróbica, não parece suficiente, tanto para homens, quanto para as mulheres. A atividade física pode ter seu efeito mais significativo na prevenção, em vez do tratamento do excesso de peso e da obesidade. A obesidade não deverá ser tratada como uma doença aguda e sim como uma condição crônica.

Os National Institutes of Health Technology Assessment Conference Panel on Methods for Voluntary Weigth Loss and Control de 1992 concluiu:

“a perda de peso que pode ser atingida pelo programa de exercícios isoladamente é mais limitada que a obtida pela restrição calórica. No entanto, o exercício apresenta efeitos benéficos independentes da perda de peso e pode ser um complemento importante para outras estratégias” .

A mudança no estilo de vida, através do aumento na quantidade de atividade física praticada e a reeducação alimentar é o melhor tratamento da obesidade.


Riscos de doenças associados à circunferência abdominal

Por fim, vamos falar da famosa barriguinha. A obesidade abdominal, centrípeta, andróide ou em “maçã” está relacionada a uma série de comorbidades. A circunferência abdominal acima de 88 cm para as mulheres e 102 cm para os homens está associada fortemente a complicações participantes da síndrome metabólica. São elas:

  • Intolerância à glicose;
  • Maior incidência de diabetes mellitus;
  • Hipertensão;
  • Baixos níveis de HDL;
  • Altos níveis de LDL e de triglicérides;
  • Também relacionada à AVC, infartos e a alguns tipos de câncer.

Em outras palavras, quando o diâmetro da cintura é aproximadamente o mesmo ou superior ao do quadril, é diagnosticada a obesidade andróide, que pressupõe complicações decorrentes superiores ao normal. Nas mulheres, os estrogênios alargam a área pélvica, estimulando o desenvolvimento das mamas e aumentam a deposição de gordura nas coxas e nos quadris.

Aqui também não escapamos, pois as principais recomendações nos programas de perda de peso corporal são: redução do aporte energético, diminuição da proporção de gordura na dieta e participação em sessões de exercício físico moderado com tempo mínimo de 150 minutos por semana.

Invista em bem-estar!

BLOG_CTAs_Protagonista

Artigo escrito por Eduardo Arantes, Diretor Técnico da BeeCorp.

Gostou do artigo? Leia também: