Blog da Beecorp

Qualidade de Vida Saúde Ocupacional

Segurança, saúde e bem-estar: custo ou investimento?

Quando falamos em ROI (Return On Investment), VPL (Valor Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno) para profissionais de promoção da segurança, saúde e bem-estar é provável que provoquemos neles um ataque cardíaco. Isso ocorre porque nós, profissionais dos setores, não fomos formados ou preparados tanto na vida acadêmica como na vida profissional para esta linguagem que é indispensável no mundo corporativo. Não aprovamos nossos projetos, pois não sabemos apresentá-los na linguagem dos gestores.

O caminho é um só. As atuais políticas de saúde nos direcionam a uma mudança de conceito: de medicina curativa para preventiva (inclusive segurança no trabalho), por meio da atenção primária à saúde e a realização de diagnósticos precoces, sugerindo hábitos e condutas saudáveis, tratamentos mais baratos que preservem a saúde, limitem os danos e o impacto da doença na população e na produção.

Cheguei apelidar meus próprios trabalhos de promoção da segurança, saúde e bem-estar nas empresas como “Programas Saci-Pererê”. Tínhamos o intangível, sabíamos que estávamos fazendo o certo, tínhamos certeza do impacto no clima da empresa e o melhor, praticávamos responsabilidade social corporativa. Mas isto nunca bastou. Tínhamos, e éramos cobrados com razão pelos empresários e gestores, que demonstrar o retorno financeiro.

A competitividade crescente é o desafio imposto pela globalização às empresas brasileiras.  Este cenário nos obriga a buscar respostas criativas e flexíveis e os serviços de saúde ocupacional das empresas possuem características específicas, que tornam este cenário ainda mais complexo: o político e o social. Os serviços de segurança e saúde ocupacional nas organizações empresariais brasileiras, à exceção dos anos mais recentes e em alguns casos específicos, sempre foram vistos como um simples conjunto de atividades operacionais de menor relevância, um mal necessário cujos resultados, quando mensurados, não se refletiam no desempenho do negócio. A legislação brasileira, muitas vezes complexa e sempre burocrática, criou um paradigma onde saúde é sempre vista como custo. As atividades de saúde desenvolvidas nas empresas passaram a serem vistas como essencialmente técnica, em alguns casos até meramente administrativa, cuja abordagem principal é o cumprimento do requisito legal, quando muito, sem maiores considerações em relação aos impactos no resultado da empresa. Vários fatores contribuíram e alimentam este quadro, porém já podemos inferir que as questões relativas à Segurança, Saúde e ao Bem-Estar serão vitais para a perpetuidade dos negócios empresariais. Sem se esquecer das questões relativas à responsabilidade social corporativa, tema importante e intimamente e primariamente relacionado à qualidade de vida. Não há responsabilidade social corporativa sem qualidade de vida no trabalho. Não ouse fazer o bem para fora sem antes olhar profundamente para dentro de sua empresa.

A saúde, em particular, passará a ser vista como elemento diferenciador nas políticas empresariais e adquire ênfase estratégica e poderá ser identificada como a última fronteira em que se podem explorar novas vantagens competitivas. Para os profissionais de saúde não bastará somente o conhecimento técnico, também conhecimentos em gestão e grande capacidade de relacionamento interpessoal.

Para as empresas, a mensuração de desempenho é uma verdadeira obsessão. Além do foco na prevenção de doenças e acidentes de trabalho, os profissionais de saúde deverão pensar no aumento da produtividade e na continuidade operacional. Neste ponto, há um campo vasto, ainda estéril, que precisa ser explorado. Este é um dos temas mais desafiadores para os gestores de saúde, pois esta área recebe investimentos cada vez maiores e conseqüentemente aumenta a responsabilidade destes atores em todo este processo. Na sociedade que DRUCKER (2000) chama de “Sociedade do Conhecimento” temos que transformar dados em informação e informação em conhecimento. Vivemos, em muitos casos, uma escassez de conhecimento numa abundância de dados e/ou informações. No Brasil e em particular nas empresas privadas, temos muitos dados, porém muito pouco conhecimento sobre estes dados. Já visitei inúmeras empresas e quando pergunto dados básicos como número de hipertensos, diabéticos ou fumantes, muitas vezes ouvi, do principal gestor de saúde da empresa a frase mais mortal do mundo corporativo: “Não sei!” E o pior, não sabia e não conhecia quem poderia saber.

Não há dúvidas que investimentos em promoção da saúde e qualidade de vida trazem benefícios intangíveis para as organizações, além de ser o certo a se fazer, porém como medir os resultados tangíveis? Qual modelo deverá ser utilizado? Por que temos tão poucas pesquisas neste sentido no Brasil? Há um ciclo extremamente perverso e vicioso, onde, geralmente as empresas não estimulam estas pesquisas e os profissionais de saúde não têm interesse em desenvolvê-los. Quando há interesse de uma das partes, a outra não o tem. E há outro problema: faltam ferramentas!

PORTER (2007) quando propôs abordar questões relativas a estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos em saúde define este campo como imenso, multifacetado e hermético. Continua dizendo que a complexidade no sistema de saúde é assustadora. A tendência é sairmos da gestão administrativa simples, quando existente, e evoluirmos para um modelo de gestão da segurança e da saúde. Isso significa:

  • buscar informações mais detalhadas sobre a utilização dos benefícios oferecidos pela empresa, especialmente o plano de saúde;
  • investimento em comunicação, aqui talvez um dos pontos mais importantes, pois a boa comunicação evita interpretações tendenciosas;
  • avaliação permanente do perfil dos empregados e identificação dos funcionários portadores de doenças crônicas;
  • integração dos diversos programas de saúde;
  • transformação do funcionário em parceiro;
  • controle através de indicadores, metas e o mais importante, o cálculo do retorno financeiro para as empresas.

A boa gestão da segurança e saúde acaba se transformando num benefício para todos. Colaboradores mais bem assistidos se sentem melhor fisicamente, mentalmente e emocionalmente e o funcionário motivado produz mais e falta menos.

Abaixo apresentaremos o resultado de três intervenções em empresas brasileiras, revelando um ROI de R$ 1,62 a 5,22 para cada R$ 1,00 investido. Os programas tiveram foco na redução do risco cardíaco, a diminuição dos riscos psicossociais e a incidência de gripe. O resultado mostra, claramente, o resultado dos investimentos em segurança e saúde ocupacional.

PROGRAMAREDUÇÃO DO RISCO CARDÍACODESENVOLVIMENTO COMPORTAMENTALIMUNIZAÇÃO
NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS ATENDIDOS845 por ano295894
PERÍODO DE VIGÊNCIA DO PROGRAMAde 2007 a 20092009
CUSTO DO PROGRAMAR$ 270.000,00R$ 265.743,00R$ 36.067,71
GANHOS MÉDICOSR$ 281.996,00R$ 291.783,51R$ 162.807,28
GANHOS ECONÔMICOSR$ 287.080,00R$ 1.360.815,2R$ 227.422,72
ROI – Return on Investments (Retorno Sobre o Investimento)R$ 1,62R$ 5,22R$ 3,50

Os resultados dos três programas avaliados são positivos e animadores. Os programas tinham, no mínimo, dois anos de implantação, o que reforça que eles devem ser de longo prazo. Este conjunto de dados e fatos valoriza a metodologia utilizada e reforça que o investimento em promoção da segurança, saúde e bem-estar nas empresas dá retorno financeiro mensurável.

Os elementos chave de sucesso de programas de promoção da segurança, saúde e bem-estar incluem: criação de objetivos claros e programas de ligação entre os objetivos do programa e os empresariais; forte apoio à gestão, com uma comunicação eficaz e participação de empregados em todos os níveis de desenvolvimento e execução do programa; adaptar o programa às normas sociais, considerando os incentivos para fomentar a adesão aos programas e melhorar a auto eficácia dos participantes (WHO 2008).

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Artigo escrito por Eduardo Arantes, Diretor Técnico da BeeCorp.