Os custos das doenças crônicas para as empresas

Doenças crônicas
Por: Bárbara Galan

Todos nós corremos um grande risco de desenvolver doenças crônicas. Estão cada vez mais presentes, sobretudo por serem resultado da forma como se vive em sociedade hoje em dia.

Além das doenças transmissíveis, como a AIDS, podemos reuni-las em outra categoria chamada “doenças crônicas não transmissíveis” ou DCNT. São exemplos dessas as doenças cardiovasculares (DCV), respiratórias, o diabetes, a obesidade e o câncer.

É importante conhecê-las. Mas por que as empresas devem se preocupar em prevenir as doenças crônicas e estimular o seu controle? Confira!

O que são doenças crônicas?

Antes de tudo, é importante saber o que são doenças crônicas. De maneira simples, uma doença crônica é aquela que tem um desenvolvimento longo, instala-se gradativamente e não apresenta cura definitiva. Os tratamentos, em geral, consistem em reduzir os sintomas envolvidos quando se manifestam e que, por sua vez, costumam ser recorrentes.

Pessoas com doenças crônicas devem investir, em especial, na qualidade de vida. Além disso, deve-se levar em conta que a maioria desses tipos de doença é constituída por doenças multifatoriais.

Essas, por sua vez, são doenças que resultam de causas variadas, com diversos fatores influenciando sua instalação no organismo. Entre os principais envolvidos, podem ser citados fatores metabólicos, genéticos, ambientais e comportamentais.

Veremos, a seguir, a obesidade, como um exemplo de doença multifatorial. Veremos esse caso para esclarecer importantes aspectos da multiplicidade de fatores existentes nas doenças crônicas. Acompanhe.

Fatores genéticos

A importância da genética já está comprovada. No exemplo da obesidade, quando os pais são obesos, existe o risco de 80% dos filhos também se tornarem pessoas com sobrepeso.

Quando a obesidade é encontrada na mãe, as probabilidades são ainda maiores, porque, geralmente, é a mãe quem cuida da alimentação da família. Por outro lado, se os pais são magros, a probabilidade de obesidade na criança cai bastante, sendo menor que 10%.

Fatores comportamentais

O principal fator comportamental para essa doença é a alimentação. Assim, o padrão alimentar da família é importante na gênese da obesidade dos filhos, ainda que não existam predisposições genéticas para o sobrepeso.

Fatores ambientais

O ambiente onde uma criança se desenvolve tem grande influência na formação de seu padrão corporal. Nesse sentido, um ambiente sedentário, com o agravante de hábitos alimentares incorretos, pode ser perigoso no caso de obesidade.

Fatores metabólicos

Distúrbios metabólicos podem alterar a fisiologia do organismo e desenvolver a obesidade em uma pessoa, independentemente de outras causas. Alterações dessa natureza podem ser consequência de outros distúrbios na saúde, por exemplo, distúrbios glandulares.

Assim, por exemplo, distúrbios nas glândulas suprarrenais podem aumentar a disponibilidade do hormônio cortisol. Do mesmo modo, o hipotireoidismo resulta na redução dos hormônios tiroxina e triiodotironina.

Nesses dois exemplos, as alterações promovem os depósitos de gordura no corpo e conduzem à obesidade. Doenças crônicas como esta trazem limitações aos colaboradores e afetam o contexto corporativo.

Qual o cenário atual das doenças crônicas?

As inúmeras mudanças ocorridas no modus vivendi das populações na maior parte do mundo moderno aumentou muito a frequência das doenças crônicas, ultrapassando, mesmo, a incidência das doenças infecciosas. Os números atuais são muito grandes.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, existem 180 milhões de diabéticos no mundo e, até 2030, é possível que esse número mais que duplique. Além disso, 80% das mortes por diabetes ocorrem em países em desenvolvimento. São números relevantes em se tratando de uma doença crônica.

Com a mesma condição de incidência elevada, as doenças cardiovasculares (DCV) constituem a principal causa de morte global e, até o ano de 2030, quase 23,6 milhões de pessoas morrerão de DCV. Sob esse título estão doenças como coronariana, cerebrovascular, arterial periférica e cardiopatias congênitas, entre outras.

Por sua vez, a OMS também afirma que é possível alcançar uma redução de até 80% dos casos de doença cardíaca, derrames e diabetes tipo 2 por meio de dieta, adoção de atividade física e combate ao tabagismo e ao uso nocivo do álcool. Todos esses são fatores comportamentais.

Conjuntura nos países

A esperança de vida nos EUA diminuiu pela primeira vez em 100 anos, causada pelas doenças crônicas (tabagismo e obesidade). Nesse país, os doentes crônicos são responsáveis por 75% dos 2 bilhões de dólares gastos com saúde no país. O custo anual com obesidade é de US$ 100 milhões, com o sedentarismo, US$ 76 milhões e com o uso do tabaco, US$ 50 milhões.

Na Austrália, o AVC é responsável por cerca de 2% dos custos com saúde. Além disso, um estudo canadense mostrou que a redução de 10% no sedentarismo no país reduziria as despesas médicas em US$ 124 milhões, por ano.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) tiveram como foco o HIV/AIDS, tuberculose e malária, ou seja, doenças crônicas transmissíveis. Ficaram de fora as doenças crônicas não transmissíveis.

Quais são as principais doenças crônicas?

Entre as principais doenças crônicas ocorrentes existem aquelas que são transmissíveis e outras que não são transmissíveis. Conheça a seguir um pouco mais sobre cada um desses grupos.

Doenças crônicas transmissíveis

As doenças crônicas transmissíveis têm origem em processos infecciosos ou parasitários. Assim, a pessoa é contagiada ou infectada por um agente etiológico que pode ser um fungo, uma bactéria, um vírus ou um parasita.

Entre as mais comuns e significativas podem ser listadas:

  • síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS);
  • hepatites B e C;
  • doença de Chagas;
  • tuberculose.

Doenças crônicas não transmissíveis

As doenças não transmissíveis não estão envolvidas com agentes etiológicos, mas com acometimentos fisiológicos que progridem e podem iniciar o desenvolvimento da doença.

Entre as doenças crônicas não transmissíveis mais importantes podem ser referidas:

  • doenças cardiovasculares (hipertensão, AVC, insuficiência cardíaca);
  • doenças pulmonares obstrutivas (bronquite crônica, enfisema pulmonar);
  • doenças renais crônicas;
  • diabetes;
  • câncer;
  • osteoporose;
  • obesidade;
  • mal de Alzheimer;
  • doenças de Parkinson.

Em grande parte dos casos, as doenças crônicas não transmissíveis estão relacionadas ao estilo de vida da pessoa (fatores comportamentais). Assim, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e alimentação desequilibrada estão entre os principais fatores desencadeantes.

Como as empresas podem contribuir?

Como as doenças crônicas evoluem por meio de progressão lenta e, além disso, costumam ser de longa duração em suas ocorrências, acabam por comprometer a qualidade de vida dos colaboradores. Disso resultam significativas perdas de produtividade nas empresas.

Por sua vez, como se viu, grande parte dessas doenças tem origem no comportamento, isto é, nos hábitos de vida das pessoas. Por essa razão, em vez de ações de saúde isoladas, as empresas devem adotar o bem-estar como um dos principais aspectos da cultura organizacional e promover ações planejadas nessa direção.

Nesse sentido, a implantação de um gerenciamento de doenças crônicas deve ser considerado. A organização precisará realizar o acompanhamento integrado e humanizado dos colaboradores que apresentem algum tipo de doença crônica.

Para implantar esse cuidado, devem ser consideradas iniciativas como:

  • identificar e dimensionar os fatores de risco existentes;
  • mapear os caso de doenças crônicas existentes na empresa;
  • implantar políticas internas de saúde eficazes;
  • estruturar novos processos a serem implantados;
  • fazer uso da tecnologia disponível;
  • manter foco na prevenção.

Importância de falar sobre as doenças crônicas na empresa

Apesar de todo o peso dos números referentes à ocorrência de doenças crônicas, ainda existe muita falta de compreensão, além de despreparo e ausência de ferramentas eficazes para lidar com o tema. É preciso aprender a conviver com o fato de um colaborador ser diagnosticado como tal.

A empresa deve estar preparada para esse enfrentamento. Mais que isso, deve dispor de um sistema de gerenciamento de doenças crônicas com capacidade de dialogar com os pacientes e com os colegas, além de trabalhar com vistas à prevenção.

Na cultura de saúde da empresa, deve ser estimulada a discussão e os principais cuidados, sobretudo no que diz respeito à prevenção. As principais mudanças de comportamento precisam ser motivo de explanação constante para a equipe e, particularmente, para as lideranças.

Segundo Eduardo Ferreira Arantes, em “Ciências da vida humana: conselhos e cuidados de saúde no cotidiano“, a OMS e o World Economic Forum realizaram um evento em Dalian, na China, em 5 e 6 de setembro de 2007, com objetivos globais em relação às doenças crônicas não transmissíveis.

Muitas iniciativas recomendadas estão diretamente relacionadas ao ambiente de trabalho, e destaca o referido autor 5 delas:

  1. revisar o estado atual de conhecimento para prevenção das DCNT no local de trabalho, com referência específica à dieta e à atividade física;
  2. reafirmar a razão pela qual o trabalho deve ser um ambiente adequado para a prevenção de DCNT e quais intervenções são baseadas em evidências para prevenir doenças pela promoção de uma alimentação saudável e de atividade física;
  3. delinear os benefícios econômicos e de custo-eficácia da prevenção de DCNT em programas de promoção da saúde abordando, especificamente, dietas saudáveis e atividade física;
  4. discutir os instrumentos de acompanhamento e avaliação na prevenção de DCNT no local de trabalho que tratam de regimes alimentares saudáveis e atividade física;
  5. resumir o papel dos diferentes intervenientes no desenvolvimento e na implementação de programas de prevenção das DCNT por meio de dieta saudável e atividade física no local de trabalho.

Vários anos já se passaram desde então. Na realidade atual, as doenças crônicas devem ser encaradas como um grave problema de saúde pública com responsabilidades diretas da sociedade, governos e empresas.

Quais os benefícios para as empresas que investem no cuidado?

O cuidado com colaboradores que apresentem quadros de doenças crônicas não impeditivos do trabalho, de imediato, traz dois resultados: engajamento dos colaboradores e melhoria na produtividade.

A redução de gastos com afastamentos e despesas médicas envolvidas é muito significativo quando há gerenciamento de doenças crônicas na empresa. Além disso, a imagem da companhia é aprimorada entre os colaboradores, fornecedores e clientes.

Além disso, o aprimoramento da qualidade de vida no ambiente corporativo melhora o clima organizacional, com as vantagens já conhecidas de resultados nessa área. Iniciativas que visam ao melhor bem-estar dos colaboradores têm como efeito todos ganharem. Elas são essenciais e devem ser conduzidas por parceiros especializados e experientes.

Como você pode ver, as doenças crônicas estão presentes em todo o mundo e representam um desafio para as empresas que podem trabalhar para preveni-las e estimular o seu controle, com benefícios para todos. Um parceiro experiente é o melhor caminho.

Nesse sentido, considere a expertise da BeeCorp e saiba como desenvolver o gerenciamento de doenças crônicas em sua empresa.

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Bárbara Galan
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