Fisioterapia do trabalho: entenda os impactos para as empresas ao oferecer esse serviço

Fisioterapia do trabalho
Por: Ana Flávia Oliveira

Não é preciso um estudo complexo para saber que um colaborador com alguma queixa de dor se torna menos produtivo no trabalho. Além disso, ele pode apresentar elevados índices de absenteísmo e afastamentos, afetando ainda mais os resultados da empresa. Por isso, você precisa conhecer a fisioterapia do trabalho.

Para ajudar a solucionar problemas dessa natureza, a empresa pode contar com um programa multidisciplinar de fisioterapia do trabalho. Trata-se da utilização de profissionais qualificados para garantir a saúde e a qualidade de vida do trabalhador em seu ambiente laboral.

Quer saber o que é, os benefícios que proporciona, quais técnicas podem ser adotadas e quais cuidados devem ser tomados na prática? Então, continue com a leitura, pois é sobre esse assunto que vamos tratar adiante!

O que é a fisioterapia do trabalho?

Fisioterapia é uma atividade da área da saúde que trabalha sobretudo com a prevenção do surgimento ou do agravamento de distúrbios funcionais em órgãos e sistemas do corpo humano. Dessa forma, prevenir e recuperar são os principais verbos inerentes aos objetivos dessa ciência.

Para esse fim, o fisioterapeuta faz uso de massagens, exercícios físicos, exercícios na água, movimentações específicas e uso de frio e de calor, entre outras atividades. Essa mesma abordagem, quando aplicada aos colaboradores no ambiente ocupacional, constitui a fisioterapia do trabalho.

Por sua vez, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresenta nove classificações para o fisioterapeuta, como você pode ver abaixo, com seus respectivos códigos (CBO):

  • 2236-05 – Fisioterapeuta geral;
  • 2236-25 – Fisioterapeuta respiratória;
  • 2236-30 – Fisioterapeuta neurofuncional;
  • 2236-35 – Fisioterapeuta traumato-ortopédica funcional;
  • 2236-40 – Fisioterapeuta osteopata;
  • 2236-45 – Fisioterapeuta quiropraxista;
  • 2236-50 – Fisioterapeuta acupunturista;
  • 2236-55 – Fisioterapeuta esportivo;
  • 2236-60 – Fisioterapeuta do trabalho.

Ainda segundo a CBO, esse profissional atende pessoas com vistas à prevençãohabilitação e reabilitação. Além disso, o fisioterapeuta realiza diagnóstico específico e desenvolve programas de prevenção, promoção de saúde e de qualidade de vida.

fisioterapia do trabalho, por sua vez, deve constituir um programa voltado para os colaboradores da empresa e desenvolvido por fisioterapeutas e profissionais especialistas. Um dos principais objetivos desse programa deve ser solucionar problemas de baixo rendimento, decorrentes de desconfortos e dores, durante as atividades do ambiente corporativo.

Por meio dele, realiza-se um acompanhamento contínuo no local de trabalho, em frequências que são definidas com a empresa. Para esse fim, são conduzidos basicamente dois tipos de ações:

  • preventivas: nas quais os fisioterapeutas incentivam os colaboradores a adotar novos hábitos de vida, implementando uma cultura saudável;
  • curativas: nas quais o fisioterapeuta trabalha diretamente com colaboradores que sofrem de algum problema de saúde (cuja origem pode ser diversa).

Como surgiu a fisioterapia do trabalho?

O surgimento da Revolução Industrial modificou a forma como milhares de pessoas realizavam suas atividades laborais. Assim, além de promover jornadas de trabalho muito mais intensas, passou a submeter os trabalhadores a condições que facilmente trariam consequências para sua saúde.

Além disso, o aumento do número de pessoas com um modo de vida mais sedentário em razão do abandono do trabalho manual penalizava ainda mais o corpo de maneira geral. Desse modo, no final do século XIX, com o desenvolvimento do processo de industrialização no Brasil, surgiu o prático em fisioterapia do trabalho.

Esse profissional era especializado no atendimento voltado para os colaboradores, com vistas à recuperação das condições de saúde perdidas em acidentes de trabalho. Para esse fim, já no ano de 1963 foi criado o primeiro curso de graduação na área formando fisioterapeutas e, pouco tempo depois, a regulamentação da profissão em 1969.

Porém, somente em 1998 foi criada a Associação Nacional de Fisioterapia do Trabalho (ANAFIT), tornando-se mais tarde, em 2006, a Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho (ABRAFIT). Essa associação é voltada para a valorização e crescimento do profissional

A especialidade de Fisioterapia do Trabalho foi regulamentada oficialmente no ano de 2008, por meio da publicação da Resolução No 351, de 13 de junho de 2008, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO).

Como é a atuação do fisioterapeuta do trabalho?

O fisioterapeuta do trabalho atua dentro da empresa e, de modo geral, compõe o programa de qualidade de vida para os colaboradores da organização. As maiores demandas, nesses casos, costumam estar relacionadas a situações e experiências de natureza ergonômica.

Assim, as abordagens e intervenções do fisioterapeuta podem reduzir dores incômodas e orientar os membros das equipes da empresa para um desempenho ergonomicamente mais adequado. O resultado invariavelmente é um aprimoramento no rendimento individual e melhoria no bem-estar dos colaboradores.

Nesse sentido, as atividades do fisioterapeuta do trabalho costumam se referir, entre outras, a:

  • implantação de programas de terapia laboral;
  • prevenção do desconforto ou de queixas ligadas às atividades laborais;
  • avaliação e solução para as questões de ergonomia (em conjunto com a equipe de segurança do trabalho);
  • promoção de palestras de conscientização, além das orientações personalizadas;
  • desenvolvimento de programas de ginástica laboral;
  • tratamento e acompanhamento no caso de doenças;
  • suporte em questões judiciais relacionadas à ocorrência de DORT/LER.

Dessa forma, você pode perceber que a fisioterapia no ambiente laboral proporciona benefícios para todos. Aos colaboradores, principalmente em razão de propiciar melhoria na qualidade de vida e, para a empresa, porque com colaboradores saudáveis os frutos da produtividade são alcançados mais facilmente.

Um aspecto que ressalta a importância da fisioterapia do trabalho reside no seu aspecto preventivo, reduzindo a ocorrência de situações de queda no desempenho que podem chegar até o afastamento do colaborador. Com esse fim preventivo, atua a ginástica laboral com diversas finalidades, que podem ser assim resumidas:

  • preparatória: prática de exercícios específicos no próprio ambiente laboral, no início da jornada de trabalho, como um aquecimento o dia que começa;
  • compensatória: exercícios para o equilíbrio funcional durante a jornada de trabalho;
  • de relaxamento: prática geralmente conduzida no final da jornada de trabalho para alívios das tensões acumuladas;
  • corretiva: orientação para adequação da postura e correção de hábitos.

Quais os benefícios resultantes da adoção da fisioterapia do trabalho?

Como você já viu, a implementação da fisioterapia do trabalho pode trazer diversos benefícios para a empresa e para seus colaboradores. É, assim, uma prática que fortalece os esforços da organização em manter a qualidade de vida no ambiente ocupacional e oferecer o suporte necessário quando houver demanda.

Além de ser um amparo real a necessidades significativas para todas as partes, também fortalece a autoestima do colaborador. Nesse sentido, sua disponibilidade é sempre muito bem recebida pela equipe. Acompanhe a seguir os benefícios fisiológicos e psicológicos para o colaborador e as vantagens para a empresa.

Benefícios fisiológicos

A efetiva ação da prática da fisioterapia no ambiente ocupacional se dá primeiramente por meio dos efeitos que induz na fisiologia do corpo das pessoas tratadas. Seus resultados promovem mudanças no organismo que podem ser assim observadas:

  • redução da dor e outros incômodos desenvolvidos;
  • aumento da eficiência na realização das atividades ocupacionais;
  • diminuição da sensação de fadiga;
  • prevenção e tratamento das doenças laborais;
  • melhoria na postura e aumento da mobilidade;
  • aumento da força, resistência, ritmo e coordenação motora;
  • melhoria na saúde e qualidade de vida do colaborador;
  • aumento da sensação de bem-estar e, consequentemente, da disposição para o trabalho;
  • prevenção do sedentarismo.

Benefícios psicológicos

Além dos efeitos diretos sobre o corpo, perceptíveis na capacidade de desempenho de suas funções, a fisioterapia do trabalho alivia tensões e promove um bem-estar emocional no colaborador. Esses benefícios se associam aos efeitos sobre o corpo e se traduzem em melhor qualidade de vida, como você pode ver:

  • prevenção da ansiedade, do estresse e da depressão;
  • diminuição dos níveis de tensão;
  • melhoria da autoestima;
  • aumento da motivação para enfrentar a rotina;
  • contribuição para o aumento da disposição física e mental;
  • melhoria da concentração e do foco nas atividades.

Vantagens para a empresa

A organização ao adotar cuidados que aprimoram as condições do ambiente laboral obtém os seus frutos direta e indiretamente. Assim, à melhoria obtida nos resultados da empresa se associam o fortalecimento de sua imagem e o aumento na capacidade de retenção de talentos, entre outros, como se pode relacionar:

  • aumento da produtividade e melhoria nos resultados;
  • redução do número de afastamentos;
  • melhoria do clima organizacional e do ambiente de trabalho;
  • redução dos gastos com afastamentos e absenteísmos;
  • melhoria da imagem da empresa perante colaboradores, o mercado e outros stakeholders.

Como ela pode ser implementada?

A implementação da fisioterapia do trabalho leva em consideração as condições de trabalho dos colaboradores e suas principais queixas em relação ao ambiente ocupacional. Assim, as dores e os possíveis desconfortos sentidos durante as atividades normais da função constituem um importante referencial.

Para esse fim, o melhor caminho é contar com uma assessoria especializada em programas de qualidade de vida. Dessa forma, a introdução da fisioterapia do trabalho se dará num contexto mais amplo de atenção com os colaboradores, intensificando os resultados que podem ser alcançados.

De todo modo, deve ser realizada uma ampla apreciação ergonômica para entendimento das possíveis origens das demandas apresentadas. Além disso, são adotadas práticas como a aplicação de questionários e a avaliação das reais condições de execução das atividades laborais, entre outras iniciativas.

Nessa direção, existem algumas frentes que devem ser consideradas quando da elaboração de um plano de fisioterapia do trabalho. Essas frentes, por sua vez, vão constituir as próprias abordagens do profissional com os colaboradores da empresa. Acompanhe.

Aspectos ergonômicos das atividades laborais

A ergonomia consiste no estudo da relação entre o ser humano e seu ambiente de trabalho. Dessa forma, leva em consideração diferentes aspectos, destacando-se entre outros:

  • ambientais (temperatura, iluminação, ruído e qualidade do ar);
  • organizacionais (ritmo de trabalho, quantidade e duração das pausas, divisão de tarefas);
  • técnicos (layout, mobiliário, máquinas e equipamentos).

Possíveis intervenções podem ser apontadas para adequação desses aspectos quando constituírem causas dos sintomas ou incômodos apresentados. Da mesma forma, quando houver indicação de ajustes e mudanças de natureza preventiva.

Ginástica laboral

ginástica laboral está ligada à realização de atividades físicas de curta duração (aproximadamente 15 minutos de cada vez) no próprio ambiente de trabalho. São realizados exercícios preventivos e alongamentos em estruturas musculares bastante utilizadas nas tarefas cotidianas.

Como mostrado anteriormente, a ginástica laboral pode ser aplicada com as finalidades preparatória, compensatória, de relaxamento e corretiva. Assim, seu emprego se dá tanto com vistas à prevenção como à correção.

Além dessas frentes, nas abordagens do fisioterapeuta do trabalho também devem ser consideradas, entre outras, atividades como:

  • prevenção de lesões ocupacionais;
  • tratamento dessas lesões;
  • realização de exames admissionais e demissionais;
  • realização de exames periódicos.

Quais cuidados devem ser tomados na prática da fisioterapia do trabalho?

A adoção de diversas tecnologias e o ritmo com que tais inovações se instalam nas empresas introduzem novas condições de trabalho. No rastro dessas mudanças, surgem novas formas de adoecimento ocupacional para as quais o profissional de fisioterapia deve estar atento.

Nesse sentido, um programa de fisioterapia do trabalho requer alguns cuidados para alcançar os resultados esperados e agregar saúde e qualidade de vida aos colaboradores. Assim, é necessária atenção por parte dos profissionais envolvidos, principalmente no que diz respeito ao diagnóstico dos processos executados.

Desse modo, é possível planejar adequadamente as atividades a serem desenvolvidas. Além disso, a identificação dos padrões e das melhorias que precisam ser realizadas acontece de forma mais acertada.

No entanto, é preciso realizar um exercício de conscientização dos colaboradores, para que eles participem das atividades planejadas. Além desses cuidados, outras iniciativas devem ser tomadas, destacando-se:

  • realizar avaliações físicas com vistas a conseguir fazer previsões individuais de melhorias;
  • identificar formas de adequação para colaboradores incapacitados na execução de diversos tipos de trabalho e esforços físicos;
  • utilizar recursos para apontar e registrar possíveis causas de lesões ocupacionais;
  • acompanhar e avaliar os resultados das atividades desenvolvidas;
  • avaliar os índices de faltas, afastamentos e suspensões, a fim de determinar quais são os principais focos para o surgimento dessas ocorrências.

Um programa de fisioterapia do trabalho, portanto, deve ser bem planejado e realizado com a atenção e os cuidados aqui pontuados. Com isso, contribuirá para que a empresa consiga aprimorar seus resultados quanto à saúde dos colaboradores e o bem-estar ocupacional e quanto aos índices de absenteísmo e afastamentos decorrentes de doenças laborais.

Se você gostou deste post, não deixe de conhecer como aplicar na empresa a humanização na saúde.

Author
Ana Flávia Oliveira
Graduada em Enfermagem. Pós-graduada em Enfermagem do Trabalho, Ergonomia aplicada ao trabalho e em Gestão de Pessoas com Ênfase em Liderança Organizacional. Cursando Master in Business Administration - Executivo em administração: Gestão de Saúde. Experiência em grandes empresas há mais de 10 anos, com atuação na concepção, planejamento, implementação e gestão de saúde populacional e ergonomia, junto aos RHs, segurança do trabalho, medicina ocupacional e operadoras de saúde. Especialista em auditoria documental, gestão de indicadores e plano de ação
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